Mercados

Ações na Ásia devem ter sessão volátil com preocupações inflacionárias

Os futuros recuavam no Japão e em Hong Kong, enquanto a Austrália tem mercados fechados por um feriado

Mercados ainda terão de lidar com os bloqueios contra covid na China
Por Sunil Jagtiani
12 de Junho, 2022 | 07:51 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Ações e títulos estão sob risco de mais perdas quando os mercados abrirem na Ásia na segunda-feira, seguindo o dia de choque inflacionário que abalou os mercados nos Estados Unidos na sexta (10), o que elevou as pressões sobre o aperto monetário do Federal Reserve.

Os futuros recuavam no Japão e em Hong Kong, depois que o índice MSCI AC World caiu 4,4% na última semana, a pior queda desde 2020. Na Austrália, os mercados estão fechados por um feriado.

Os títulos devem ser pressionados na esteira da queda dos Treasuries que impulsionou o rendimento de dois anos dos EUA para o maior nível em 14 anos. Os rendimentos dos títulos de 30 anos estão abaixo dos títulos de cinco anos, apontando para temores de que os aumentos agressivos nos juros do Fed levarão a um pouso difícil.

O dólar apontava para direções mistas no início das negociações depois de marcar a máxima em um mês pela alta demanda em meio a um misto de altos custos e crescimento mais lento. O petróleo se manteve acima dos US$ 120 o barril.

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Mercados ainda terão de lidar com os bloqueios contra covid na China, com Pequim e Xangai retomando testes em massa. O medo é que a estratégia Covid Zero leve a novas medidas de restrição que prejudiquem a economia e a cadeia de fornecimento - que também está sendo afetada pela guerra na Ucrânia.

“As condições financeiras ficarão apertadas o suficiente e/ou o crescimento irá enfraquecer o suficiente para que o Fed possa pausar a alta dos juros”, disseram estrategistas do Goldman Sachs em nota. “Mas ainda parecemos longe desse ponto, o que sugere riscos de alta dos rendimentos dos títulos, pressões já em andamento dos ativos de risco e ainda mais força para o dólar.”

Os preços ao consumidor nos EUA subiram 8,6% em maio na comparação anual -- uma máxima em 40 anos -- em um avanço de base ampla, somando-se a uma lista de dados de inflação preocupantes globalmente. Alguns investidores esperam aumentos de meio ponto pelo Fed nesta semana e novamente em julho e setembro. Barclays e Jefferies defendem que um movimento ainda maior de 75 pontos-base é possível na reunião de junho.

Jornada acidentada

A volatilidade dos títulos dos Treasuries “não pode ser algo que qualquer banco central iria dar boas-vindas”, Sonal Desai, chefe de investimentos de renda fixa da Franklin Templeton, disse à Bloomberg TV. “Veremos mais do mesmo. Não será um caminho suave com tendência de alta. O Fed terá de fazer mais.”

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As moedas da Ásia devem ainda ser pressionadas pela força do dólar. O iene continua apontando para uma mínima de 24 anos em relação ao dólar no contraste de política entre o Fed hawkish e o Banco do Japão dovish. Autoridades japonesas emitiram um alerta sobre o iene na sexta (10), buscando manter a moeda no piso.

O sentimento ruim ficou evidente no fim de semana para as criptomoedas, com o bitcoin aos US$ 26.877, o mais fraco desde meados de maio.

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