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Internacional

Cúpula das Américas começa com Bolsonaro e Fernández, mas sem líder mexicano

Bolsonaro, que cogitou faltar, mudou de ideia após receber uma carta entregue em mãos que incluía uma reunião bilateral com Biden

Bolsonaro é um aliado próximo e admirador do ex-presidente Donald Trump e um dos últimos líderes mundiais a parabenizar Biden após a vitória das eleições de 2020
Por Juan Spinetto
07 de Junho, 2022 | 08:03 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Mais de 20 chefes de Estado da América Latina e do Caribe devem se reunir nesta semana em Los Angeles para participar da IX Cúpula das Américas, o encontro político mais importante da região.

O continente encara o evento com um misto de ceticismo e interesse diante dos sinais ambíguos que o governo americano tem enviado em relação a metas e resultados concretos.

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Na política externa, Joe Biden está muito mais focado na invasão russa da Ucrânia e nas tensões com a China do que em resolver problemas de longa data mais perto de casa. No entanto, essas questões, incluindo migração, crime organizado, fornecimento de energia e promoção da democracia e dos direitos humanos na América Latina estarão no topo das discussões.

Aqui está um resumo das diferentes posições que os países latino-americanos tomarão antes do evento:

Brasil

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro inicialmente considerou não participar da Cúpula para se concentrar na campanha eleitoral, mas a mudança de decisão ocorreu após receber uma carta entregue em mãos que incluía um convite de reunião bilateral com Biden.

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Bolsonaro é um aliado próximo e admirador do ex-presidente Donald Trump e um dos últimos líderes mundiais a parabenizar Biden após a vitória das eleições de 2020. Desde então, a relação entre as duas maiores economias das Américas esfriou e o presidente brasileiro ainda não se reuniu e nem conversou com o líder americano.

O encontro bilateral será uma oportunidade para melhorar essa relação, pelo menos no sentido institucional. O apoio à preservação da Amazônia e à democracia na América Latina são vistos como possíveis pontos de discussão durante a reunião.

México

O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, conhecido pela sigla Amlo, será a ausência mais notável da Cúpula. Depois de inicialmente confirmar sua presença, uma viagem a Havana em maio o fez mudar de ideia e exigir que os Estados Unidos também convidassem os líderes de Cuba, Venezuela e Nicarágua.

A administração Biden considerou esse pedido inaceitável, levando Amlo a decidir boicotar o evento no início desta semana - o que foi visto como um desprezo a Biden.

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O México será representado pelo chanceler Marcelo Ebrard, que concorre à presidência em 2024 e lidera as negociações cotidianas com Washington.

Argentina

O presidente argentino Alberto Fernández jogou suas cartas antes da cúpula pedindo às autoridades americanas que convidassem todos os países, além de levantar em particular a ideia de sediar uma reunião paralela à margem do evento. No entanto, ao contrário de López Obrador, ele não chegou a boicotar o evento e recebeu um convite para visitar a Casa Branca em julho.

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A Argentina busca principalmente o apoio dos EUA junto ao Fundo Monetário Internacional. O programa de US$ 44 bilhões do FMI com o país já enfrenta grandes desafios, e o apoio dos EUA é crucial.

Na cúpula, Fernández buscará definições mais claras de Biden sobre o que a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, chama de “friend-shoring”, referindo-se à limitação do comércio de suprimentos essenciais para países confiáveis. A Argentina está ansiosa para saber o que os EUA têm a oferecer em termos concretos, de acordo com um diplomata sênior.

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Os recém-chegados

Los Angeles será o palco internacional de estreia para dois dos mais novos rostos da região, o chileno Gabriel Boric e o peruano Pedro Castillo. Ambos emergiram da onda de populista que atingiu a América Latina.

Embora governem de maneira muito diferente, Boric e Castillo sofrem pressão política, pois seus índices de aprovação caíram rapidamente desde que assumiram o cargo.

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O presidente chileno de 36 anos disse que a região precisa aumentar o diálogo e a cooperação. A defesa dos direitos humanos, energia renovável, crescimento inclusivo, direitos indígenas e preocupação com uma crise migratória regional estão na agenda de Boric. Castillo, que já sobreviveu a várias tentativas de impeachment, ainda não anunciou uma meta específica para o evento.

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