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Negócios

Dois sindicatos protocolam versão revisada de plano da Samarco

Vale e BHP apoiam o plano apresentado pelo Sindicato Metabase Mariana e Sindimetal Espírito Santo

Entrada da mineradora Samarco.
Por Cristiane Lucchesi e Mariana Durao
19 de Maio, 2022 | 07:38 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Dois sindicatos de trabalhadores que representam credores da Samarco apresentaram uma versão revisada do plano de reestruturação da dívida feito anteriormente pela mineradora brasileira, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

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As donas da Samarco, Vale e BHP, apoiam o plano apresentado quarta-feira pelo Sindicato Metabase Mariana e Sindimetal Espírito Santo, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque o documento ainda não é público. Uma versão anterior do plano havia sido rejeitada em uma reunião de credores cerca de um mês atrás. Vale e BHP não responderam imediatamente às mensagens pedindo comentários.

O plano concorrerá com o apresentado pelos detentores de títulos de dívida do comitê ad hoc, ampliando uma batalha judicial sobre a questão. Os detentores de títulos propuseram que 17 fundos, incluindo o Oaktree Emerging Market Debt Fund, assumissem o controle da Samarco. Esses fundos têm cerca de R$ 20,6 bilhões em créditos da Samarco.

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A Vale e a BHP confirmaram o apoio ao plano dos sindicatos em uma mensagem enviada por e-mail. As empresas afirmam ainda que o plano alternativo apresentado pelos credores financeiros tem foco apenas “na obtenção de lucros em detrimento de esforços voltados às atividades de reparação em função do rompimento da Barragem de Fundão” e que adotarão as medidas necessárias para manter o futuro sustentável da Samarco.

A Samarco interrompeu a produção após um desastre mortal em uma barragem em 2015 e deixou de pagar mais de R$ 50 bilhões em dívidas. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em abril de 2021, após retomar a produção em dezembro de 2020.

O plano dos sindicatos faz poucas mudanças no que foi apresentado anteriormente pela Samarco. Uma delas é a garantia de 24 meses de estabilidade no emprego e juros de 1% ao mês, não ao ano, a serem aplicados em créditos detidos por trabalhadores e micro e pequenas empresas, que somam cerca de R$ 90 milhões. Também propõe que os detentores de títulos poderão receber pagamentos extraordinários se as projeções do plano anterior, como para os preços do minério de ferro, acabarem sendo muito conservadoras.

Um total de 2.065 trabalhadores e 163 micro e pequenas empresas são credores da Samarco.

Os planos agora serão votados em outra assembleia ou por meio de documentos escritos e assinados pelos credores. Vale e BHP pediram na Justiça para que possam votar como credores, já que a Samarco listou R$ 24 bilhões que deve a suas acionistas por linhas de crédito que as duas empresas estenderam para pagar os reparos do desastre e financiar operações. Se as empresas tiverem permissão para votar, terão a maioria dos votos. Sem elas, os detentores de títulos do comitê ad hoc terão a maioria dos votos.

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