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Internacional

Quanto custa um diamante? Ausência de uma das maiores extratoras pressiona setor

Preço vem aumentando e outros players não conseguem atender à demanda

Sanções à Rússia e consequentemente à empresa que fornecia 30% dos diamantes do mundo estrangulam a oferta das gemas
Por Thomas Biesheuvel
14 de Maio, 2022 | 07:50 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Os preços estão subindo em algumas partes do mercado de diamantes brutos à medida que as sanções a uma das duas gigantes mineradoras do mundo se espalham pela cadeia de suprimentos. No passado, a indústria poderia recorrer à gigante De Beers para produzir gemas extras quando a oferta estivesse escassa – mas não desta vez.

O preço de um pequeno diamante bruto, do tipo que acabaria em torno da pedra solitária em um anel, saltou cerca de 20% desde o início de março, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O motivo? Lapidadores, polidores e comerciantes de diamantes estão com dificuldades para obter pedras depois que os Estados Unidos impuseram sanções ao rival russo da De Beers, a Alrosa, que responde por cerca de um terço da produção global.

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Na maior parte da história moderna dos diamantes, este é o tipo de situação em que a De Beers poderia ter aproveitado seus vastos estoques ou simplesmente acionado a capacidade latente de mineração. Pouco mais de 20 anos atrás, seus cofres guardavam estoques de diamantes no valor de US$ 5 bilhões.

Esse não é mais o caso. A empresa possui apenas estoques de trabalho, e suas minas estão funcionando a todo vapor. Há pouca chance de aumentos substanciais no fornecimento antes de 2024 – data da conclusão da expansão de sua principal mina sul-africana.

“Dificilmente faremos qualquer nova produção”, disse o CEO Bruce Cleaver em entrevista na Cidade do Cabo. “Retirar 30% da oferta não é sustentável”.

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A De Beers também produz relativamente poucos dos tipos de diamantes nos quais a Alrosa é especializada: gemas pequenas e baratas que cercam uma pedra central e maior ou as que são usadas em joias de baixo custo vendidas em lugares como Walmart ou Costco.

Para muitos no setor, isso significa escassez crescente, a menos que a Alrosa e seus compradores comerciais consigam encontrar uma solução.

A Alrosa cancelou sua última venda em abril e provavelmente não venderá grandes volumes novamente este mês, disseram as pessoas. Segundo as fontes, não se sabe quando a empresa poderá fazer vendas normalmente, mesmo com a empresa, os bancos e os compradores buscando soluções.

A assessoria de imprensa da Alrosa não quis comentar. Uma licença do Tesouro dos EUA que permitia encerrar negócios com a empresa expirou em 7 de maio.

As consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia dividiram o comércio global. Enquanto os governos ocidentais impõem sanções à Rússia e as empresas saem do país, muitos players da indústria de diamantes da Índia ainda querem continuar comprando, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. E enquanto as grandes joalherias americanas Tiffany & Co. e Signet Jewelers disseram que vão parar de comprar novos diamantes extraídos na Rússia, varejistas em lugares como China, Índia e Oriente Médio não seguiram o exemplo.

Essa dinâmica está estimulando a preocupação de que os diamantes da Rússia sejam vendidos como se tivessem outras origens.

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Pouquíssimos diamantes ficam sob custódia de uma única parte por toda a cadeia de suprimento. A maioria é lapidada, polida, fabricada e depois colocada em joias por diferentes empresas e muitas vezes troca de mãos entre cada etapa. Os diamantes são rotineiramente misturados em pacotes de tamanhos e qualidades semelhantes ao longo do processo, tornando o rastreamento de origem quase impossível em muitos casos.

A De Beers, que vende para cerca de 60 clientes escolhidos a dedo, já está procurando melhorar suas normas. A empresa está considerando aumentar as auditorias que já realiza em seus clientes para garantir que o fornecimento permaneça segregado.

“Eles devem mostrar que nossa produção não está sendo misturada”, disse Cleaver.

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--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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