Mercados

Futuros e títulos do Tesouro dos EUA caem com atenção voltada à inflação

Títulos do Tesouro caíam com a perspectiva de um rápido aperto monetário do Federal Reserve para conter as pressões de preços

Bloomberg Línea
Por Abigail Moisés
18 de Abril, 2022 | 08:57 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Os contratos futuros de ações e títulos do Tesouro caíam nesta segunda-feira (18), com os investidores avaliando a perspectiva de um aperto mais rápido da política monetária pelo Federal Reserve.

Os futuros de índices dos EUA seguiam um declínio nas ações da Ásia-Pacífico, que foram prejudicadas pelo Japão e pela China. Os mercados na Austrália, Hong Kong e grande parte da Europa permanecem fechados para a Páscoa.

Os rendimentos do Tesouro subiam à medida que os investidores aguardam os discursos dos formuladores de políticas do Fed nesta semana em busca de novas pistas sobre se a autoridade aumentará as taxas de juros em meio ponto em maio para conter as pressões sobre os preços. Um salto nos custos de energia destacou as preocupações com a inflação, com os preços do gás natural nos EUA subindo para o nível intradiário mais alto em mais de 13 anos.

Os investidores também se concentrarão em lucros e orientação, com empresas como American Express (AXP), Bank of America (BAC), Bank of New York Mellon (BK), IBM (IBM), Johnson & Johnson (JNJ), Netflix (NFLX) e Tesla (TSLA) reportando lucros essa semana.

PUBLICIDADE

Em outros movimentos notáveis de pré-mercado, as ações do Twitter (TWTR) subiam depois que Elon Musk disse que os interesses econômicos do conselho não estão alinhados com os acionistas.

O padrão nos mercados sugere que os investidores permanecem incertos se a inflação alta atingiu ou não o pico. As pressões de preços estão sendo alimentadas por problemas na cadeia de suprimentos devido às restrições da covid na China e interrupções nos fluxos de commodities devido à guerra. Cresce a preocupação de que a economia dos EUA enfrente uma desaceleração à medida que o Fed se volta para uma política agressiva de aperto para conter o custo de vida.

“Mudanças importantes de regime raramente são suaves em geopolítica ou economia, e os mercados estão subestimando esses riscos”, escreveu Eric Robertsen, estrategista-chefe do Standard Chartered Bank, em nota. “Estamos cada vez mais preocupados com um verão de turbulência e volatilidade.”

A história sugere que o Fed enfrentará uma tarefa difícil ao apertar a política para esfriar a inflação sem causar uma recessão nos EUA, de acordo com o Goldman Sachs. O banco colocou as chances de uma contração em cerca de 35% nos próximos dois anos.

PUBLICIDADE

Os efeitos positivos da inflação no crescimento dos lucros das empresas norte-americanas atingiram o pico à medida que o aumento dos custos reduz suas margens e as pressões de preços causadas pela guerra na Ucrânia atingem os consumidores, segundo estrategistas do Morgan Stanley.

Os dados econômicos chineses vieram mistos, aumentando as preocupações dos investidores sobre a recuperação estagnada do país. A China cortou a taxa de compulsório na sexta-feira, mas se absteve de reduzir as taxas de juros em uma abordagem cautelosa de flexibilização da política, enquanto o presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, descreveu seu recuo como muito rápido.

Em Xangai, as autoridades relataram as primeiras mortes por um surto crescente de covid-19. A cidade também publicou planos para retomar a produção após um bloqueio prolongado, recomendando que as empresas adotem o chamado gerenciamento de circuito fechado, onde os trabalhadores moram no local e são testados regularmente.

Enquanto isso, autoridades ucranianas disseram que os defensores restantes de Mariupol estão cercados por forças russas, mas não entregaram a cidade portuária estrategicamente importante, já que um ataque mortal foi relatado em Lviv, perto da fronteira polonesa.

Autoridades ucranianas estarão em Washington para as reuniões desta semana do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para buscar apoio financeiro.

Eventos para acompanhar esta semana:

PUBLICIDADE
  • Os balanços a serem divulgados esta semana incluem American Express (AXP), Bank of America (BAC), Bank of New York Mellon (BK), IBM (IBM), Johnson & Johnson (JNJ), Netflix (NFLX), Tesla (TSLA)
  • Fechamento do mercado na segunda-feira de Páscoa no Reino Unido e em grande parte da Europa
  • PIB da China, dados de atividade econômica, segunda-feira
  • Reuniões de primavera do FMI/Banco Mundial começam na segunda-feira
  • O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, falará na segunda-feira
  • Presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, falará na terça-feira
  • Relatório de inventário de petróleo bruto da EIA, quarta-feira
  • Taxas primárias de empréstimos na China, quarta-feira
  • Livro bege do Federal Reserve, quarta-feira
  • Debate das eleições presidenciais francesas, quarta-feira
  • A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, e o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, devem falar na quarta-feira
  • CPI da zona do euro, reivindicações iniciais de desemprego nos EUA, quinta-feira
  • O presidente do Fed, Jerome Powell, e a presidente do BCE, Christine Lagarde, discutem a economia global no evento do FMI, quinta-feira
  • PMIs de manufatura: zona do euro, França, Alemanha, Reino Unido, sexta-feira
  • Andrew Bailey, do Banco da Inglaterra, falará na sexta-feira

Alguns dos principais movimentos nos mercados:

Ações

  • Os futuros do S&P 500 caíam 0,2% às 8h45, horário de Brasília
  • Futuros do Nasdaq 100 recuavam 0,3%
  • Os futuros no Dow Jones Industrial Average foram pouco alterados
  • O índice MSCI World foi pouco alterado

Moedas

  • O Bloomberg Dollar Spot Index subia 0,2%
  • O euro foi pouco alterado em US$ 1,0806
  • A libra britânica recuava 0,2%, para US$ 1,3033
  • O iene japonês caía 0,1% para 126,59 por dólar

Renda fixa

  • O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos avançou uma base

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

PUBLICIDADE