Internacional

ONU suspende Rússia do Conselho de Direitos Humanos apesar de abstenções

Ao contrário de condenações anteriores, que receberam apoio esmagador, a proposta obteve 58 abstenções incluindo Brasil, Tailândia, Índia e México

O mundo reagiu com horror e indignação ao grande número de vítimas civis nas cidades ao redor de Kiev
Por David Wainer
07 de Abril, 2022 | 05:15 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — A Assembleia Geral das Nações Unidas votou pela suspensão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU por sua conduta na Ucrânia, embora dezenas de nações tenham se abstido apesar dos apelos do embaixador ucraniano para defender “as vidas inocentes perdidas” na guerra, que já dura dois meses.

A rara medida de suspender a Rússia na quinta-feira (7) foi apoiada por 93 países e recebeu o voto contra de 24 membros. É a primeira vez que uma ação como esta é apoiada na ONU desde que a Líbia foi suspensa durante os meses finais do reinado de Muammar Kadafi, em 2011.

No entanto, ao contrário de condenações anteriores, que receberam apoio esmagador, a proposta de quinta-feira (7) obteve 58 abstenções, já que países como Brasil, Tailândia, Índia e México disseram que queriam ver os resultados de uma investigação independente de supostas atrocidades concluída antes que uma decisão sobre a adesão da Rússia fosse tomada.

O enviado da Ucrânia à ONU, Sergiy Kyslytsya, disse que a votação seria um momento decisivo para a organização global, que ele criticou por não fazer o suficiente para impedir a invasão da Rússia.

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Votar para suspender Moscou “não é uma opção, é um dever”, disse Kyslytsya. Ele acrescentou que “votar não significa puxar um gatilho, mas significa um ponto vermelho” na tela de votação da ONU. “Vermelho como o sangue das vidas inocentes perdidas.”

A indignação com o grande número de vítimas nas cidades ao redor de Kiev explodiu nesta semana quando as forças russas começaram a se retirar, com corpos de civis deixados nas ruas, e bairros inteiros bombardeados em escombros. Autoridades russas chamaram as imagens de atrocidades de notícias falsas e disseram que quaisquer crimes de guerra foram perpetrados por forças ucranianas, uma visão que recebeu pouco apoio.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, pediu às nações ocidentais que forneçam armas mais poderosas a seus militares, além de reivindicar um tribunal no estilo de Nuremberg para investigar e processar crimes de guerra.

Enquanto nações como Coreia do Norte, Irã, Bielorrússia e Síria previsivelmente se manifestaram em oposição à medida da ONU, as abstenções de dezenas de outros países significam que o número de votos neutros e negativos - 82 - foi muito maior do que as contagens anteriores, que condenavam ações de Moscou.

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Muitas nações que se abstiveram sinalizaram que, em sua opinião, a votação foi precipitada já que a investigação começou muito recentemente, no final do mês passado, e ainda está em andamento.

Falando antes da votação, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, criticou a ONU, dizendo que ela deveria ter servido como mediadora da paz entre a Rússia e a Ucrânia e pediu maior diplomacia para acabar com a guerra. As negociações entre Kiev e Moscou até agora foram inconclusivas.

“Como vamos resolver o conflito da Rússia com a Ucrânia se não houver intermediário?” Lopez Obrador disse em uma coletiva de imprensa em um discurso do México. “Não é para isso que serve a ONU?” ele perguntou.

O enviado da Arábia Saudita à ONU chamou a suspensão de escalada, enquanto o embaixador chinês Zhang Jun disse que a medida levaria à “politização ou instrumentalização de questões de direitos humanos”.

A China - que enfrenta críticas internacionais por causa de suas políticas em Xinjiang e Hong Kong - “se opõe às abordagens seletivas e de confronto, bem como uma postura de dois pesos e duas medidas em relação a questões de direitos humanos” e se opõe a “exercer pressão sobre outros países em nome dessas questões”, disse Zhang.

A resolução de quinta-feira (7) foi iniciada pela embaixadora dos Estados Unidos, Linda Thomas-Greenfield, esta semana, quando surgiram evidências da cidade de Bucha, nos arredores de Kiev, de assassinatos aleatórios de civis.

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“Não podemos deixar que um Estado-membro que está subvertendo todos os princípios que prezamos continue a participar do Conselho de Direitos Humanos”, disse Thomas-Greenfield na quarta-feira (6) em uma palestra na Universidade de Defesa Nacional. “A ONU deve desempenhar um papel central em nossos esforços para responsabilizar a Rússia e ajudar aqueles que tentam escapar dessa violência sem sentido”.

– Com a colaboração de Maya Averbuch.

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, localization specialist da Bloomberg Línea.

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