Fuga de talentos pode ser tendência permanente no pós-pandemia

Cerca de 83% dos entrevistados afirmaram que é importante ter horário flexível, mas empregadores continuam controlando jornadas

No pós-pandemia, funcionários se sentem mais confortáveis em deixar seus empregos em busca de melhorias
Por Cagan Koc
04 de Abril, 2022 | 01:09 PM

Bloomberg — O Grand Resignation – movimento de pedidos de demissão em massa – não dá sinais de trégua, e talvez o encolhimento na oferta de mão de obra tenha vindo para ficar. A avaliação veio da provedora global de serviços de emprego Randstad.

A redução das pessoas presentes no mercado de trabalho — respaldada por uma tendência demográfica de longo prazo — aumenta o leque de opções dos profissionais talentosos, que se juntam a empresas nas quais suas necessidades são atendidas, avisou Sander van ‘t Noordende, que assumiu o cargo de CEO da empresa holandesa na terça-feira (29).

“É uma mudança atual: os funcionários estão mais dispostos a atribuir consequências à sua infelicidade ou a seu desapontamento”, disse o executivo, comentando o último relatório Workmonitor divulgado pela empresa. “Eles estão dispostos a deixar seus empregos se não estiverem felizes.”

O Grand Resignation ajuda quem busca melhores salários e condições de trabalho. Com a recuperação econômica e modalidades de trabalho remoto, ficou mais fácil pedir demissão e procurar alternativas.

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Entre os entrevistados na pesquisa da Randstad, um terço contou que deixou um emprego porque não se encaixava em sua vida pessoal. Mais da metade dos entrevistados das gerações millennial ou Z disse que sairiam de um emprego que impedisse a pessoa de aproveitar a vida, comparado a pouco mais de um terço dos entrevistados que se identificam como Baby Boomers.

Embora 83% dos entrevistados tenham dito que horário flexível é importante e 71% tenham afirmado o mesmo para o local de trabalho, a maioria sente que não tem escolha sobre onde trabalha. Dois em cada cinco participantes do estudo contam que não controlam seus horários.

“Os empregadores realmente precisam melhorar seu esquema para personalizar a experiência de trabalho para cada empregado individualmente”, disse o CEO.

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Com a diminuição dos casos de covid-19, as empresas estão trazendo os funcionários de volta ao escritório, pelo menos alguns dias por semana. Ainda assim, exceto no setor financeiro, o executivo afirma que as empresas não estão exigindo que os funcionários façam toda a jornada no escritório.

A maioria dos executivos de nível sênior entende que pode confiar em seu pessoal” quando se trata de flexibilidade para trabalhar, disse ele. “O escritório está se tornando cada vez mais um lugar de colaboração e encontro do que um lugar em que se executa o trabalho.”

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