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Petrobras desaba após informação sobre demissão de Silva e Luna

Irritação do presidente Bolsonaro chegou a pico depois que Petrobras anunciou aumento no dia em que o Senado votou desoneração dos combustíveis

Joaquim Silva e Luna: alvo de irritação do presidente por política de preços
28 de Março, 2022 | 06:50 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — O principal papel da Petrobras (PETR4) na bolsa brasileira caiu até 4,1% nesta segunda depois de uma reportagem da revista Veja afirmar, citando fontes do Palácio do Planalto, que Jair Bolsonaro decidiu demitir o presidente da companhia, Joaquim Silva e Luna, antes mesmo de completar um ano no cargo. No final do pregão, o papel teve baixa de 2,17%.

A Bloomberg News falou com três pessoas familiarizadas com a questão, que confirmaram a decisão, mas pediram para não serem identificadas porque as discussões são privadas. Alguns dos aliados de Bolsonaro ainda estariam tentando impedir a demissão, segundo uma dessas fontes.

O pano de fundo da decisão foi a insatisfação vocalizada pelo presidente nas últimas semanas com a empresa pelas altas nos preços dos combustíveis. Uma fonte do Palácio do Planalto disse à Bloomberg Línea que a irritação do presidente com Silva e Luna chegou a um pico no último dia 10 de março, quando a companhia anunciou um reajuste e 18,8% na gasolina e de 24,9% no diesel. No mesmo dia, o Senado aprovou uma mudança para aliviar a tributação dos combustíveis, defendida pelo presidente.

O reajuste vinha sofrendo um represamento há quase 60 dias, período em que o barril do petróleo rompeu a barreira de US$ 100 após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

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A política de preços da Petrobras se tornou um dos principais temas da eleição deste ano. Líder nas pesquisas e principal adversário de Bolsonaro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpa o atual presidente pelas sucessivas altas do preço dos combustíveis e promete acabar com a paridade das cotações do dólar e do preço internacional do barril no preço pago pelo consumidor brasileiro.

Numa eleição em que institutos de pesquisa afirmam que a economia e o custo de vida são as principais preocupações do eleitor, as críticas têm ressoado.

O general Silva e Luna chegou à presidência da Petrobras em abril do ano passado, depois que a questão dos preços dos combustíveis também custou a demissão do antecessor Roberto Castello Branco, um tecnocrata que estava desde 2019 no comando da companhia.

“Embora a decisão seja igual à de um ano atrás, quando o Executivo decidiu não reconduzir Castello Branco e indicar o general Silva e Luna à presidência da Petrobras, os desdobramentos do fato para as ações hoje se deram de forma bem mais contida. Isto acontece pela hora em que a notícia foi divulgada e também pelo mercado trabalhar há semanas com a possibilidade de mudança”, disse Ilan Arbeitman, analista da Ativa Investimentos.

O nome ventilado como substituto é o de Adriano Pires, um especialista do setor de óleo e gás. O governo federal – acionista majoritário da Petrobras – já tenha enviado a sua lista para a composição do novo conselho (cuja indicação é pré-requisito para ocupar a presidência da companhia) para a assembleia geral ordinária, marcada para 13 de abril. Caso a demissão se confirme, a lista deve ser alterada antes da assembleia.

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