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Internacional

Biden chama Putin de ‘açougueiro’ e diz que ele ‘não pode continuar no poder’

Em discurso em Varsóvia, Biden pediu a aliados que se preparem para um longo conflito

O presidente dos EUA, Joe Biden, durante visita à Polônia, país que faz fronteira com a Ucrânia
Por Jordan Fabian e Josh Wingrove
26 de Março, 2022 | 04:47 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

(Bloomberg) — O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou o líder russo, Vladimir Putin, em discurso na Polônia neste sábado (26), chamando-o repetidamente de “ditador” e dizendo que ele “não pode continuar no poder” depois da invasão da Ucrânia.

Biden exortou aos democratas do mundo que se preparem para um conflito longo com o governo de Putin, seu mais recente pedido a aliados que se mantenham firmes contra um adversário que ele chamou de “açougueiro”.

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“Precisamos ter clareza: esta batalha não vai ser vencida em dias ou meses”, disse Biden em um discurso duro no Castelo Real de Varsóvia no sábado, a última etapa de uma viagem à Europa para mostrar unidade entre os aliados contra Moscou. “Precisamos nos preparar para a longa batalha pela frente.”

Ele concluiu o discurso destacando que “pelo amor de Deus, esse homem não pode continuar no poder”.

Não ficou claro se o trecho estava no discurso escrito, e um funcionário da Casa Branca depois disse que Biden quis dizer que Putin não poderia continuar exercendo poder sobre os vizinhos e que o presidente não estava falando em mudar o regime na Rússia.

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É bastante incomum que um presidente dos EUA peça explicitamente que um líder seja retirado do cargo, especialmente o líder de um país com armas nucleares do tamanho da Rússia.

O ex-presidente dos EUA Donald Trump tentou forçar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a deixar o poder e o ex-presidente Barack Obama disse em 2011 que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, “precisa sair”. Tanto Maduro quanto Assad continuam no comando de seus países.

Biden fez referência a um famoso discurso anticomunista do ex-presidente dos EUA Ronald Reagan, que em 1987 implorou à União Soviética que “derrube esse muro” em Berlim. O muro caiu apenas dois anos depois. Biden começou sua fala em Varsóvia citando o discurso que o papa João Paulo II fez na Polônia em 1979 no qual implorou ao povo polonês que “não tenha medo” de regimes opressivos.

Mais cedo, Biden fez uma visita emocionante a refugiados da Ucrânia que mostraram o que está em jogo no conflito no qual os EUA garantiram que seus militares não intervirão. Ainda assim, Biden disse que a guerra poderia desaguar numa “terceira guerra mundial” se não for cuidadosamente avaliada.

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Ainda não está claro se os EUA e seus aliados podem ajudar a pôr fim nos conflitos sem eles mesmos efetuarem disparos, já que houve relatos de ataques russos nas proximidades de Lviv, cidade que fica a cerca de uma hora da fronteira com a Polônia, pouco antes do discurso de Biden. Biden repeliu os pedidos ucranianos para que a Otan feche o espaço aéreo do país, o papel da China no conflito é incerto e sobram perguntas sobre a efetividade das sanções financeiras e em que velocidade a Europa conseguirá se desvencilhar do gás russo.

“As democracias do mundo estão revitalizadas com propósito e união”, disse o presidente dos EUA.

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Biden, cujo discurso foi animado com aplausos da plateia, alguns de pessoas que carregavam bandeiras da Polônia, da Ucrânia e dos EUA, deixou uma dura advertência a Putin: “Nem pense em avançar um centímetro sequer sobre territórios da Otan”.

Ele disse que os EUA têm a “obrigação sagrada” de “defender cada palmo de território da Otan”.

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A Casa Branca estima que mil pessoas - incluindo o presidente da Polônia, Andrzej Duda, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e a líder da oposição em Belarus, Sviatlana Tsikhanouskaya - ouviram o discurso, bem como estudantes locais e funcionários da embaixada norte-americana.

“Minha mensagem ao povo da Ucrânia é a mesma que disse aos ministros da Defesa e das Relações Exteriores da Ucrânia, que acredito estarem aqui hoje - estamos com vocês, ponto”, disse Biden.

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Mas ele também assegurou ao povo russo que eles não são inimigos nem aliados dos EUA.

Hoje mais cedo, Biden esteve com os ministros da Defesa e das Relações Exteriores da Ucrânia antes das audiências com Duda e o primeiro-ministro da Polônia - e de se encontrar com refugiados da Ucrânia.

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Mais de dez milhões de pessoas na Ucrânia foram forçados a deixar suas casas e mais de 3,4 milhões saíram do país, incluindo os mais de dois milhões que chegaram à Polônia.

Em um momento, Biden baixou o tom de voz para falar sobre a situação dos que fugiram.

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“Ajudar os refugiados não é algo que a Polônia ou qualquer outra nação devam fazer sozinhas”, disse ele.

A viagem de Biden, que começou com uma parada mais cedo em Bruxelas, tem o objetivo de estreitar alianças com a Otan, o G7 e a União Europeia e aumentar o apoio à Ucrânia. Em Bruxelas, Biden pediu que a Rússia seja removida do G20; ou então, que a Ucrânia seja convidada a participar das reuniões.

Biden ainda anunciou a promessa de aumentar as exportações de GLP para a Europa, como parte do esforço para reduzir o impacto do bloqueio das exportações de energia russa, enquanto impõe sanções a políticos e entidades russos. Os EUA prometeram aceitar 100 mil refugiados da Ucrânia, mas ainda não foi informado por quanto tempo.