Vladimir Putin
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Bloomberg Opinion — Impossível sair ileso de uma afronta a Vladimir Putin. Sem dúvida, isso tem seus custos. Os preços da energia estão subindo, as empresas estão saindo da Rússia e as que ficam correm o risco de nacionalização. Há uma preocupação com o abastecimento global de alimentos. A conversa sobre a recessão começou, embora a economia mundial ainda esteja se recuperando da última crise financeira. Seria ingenuidade descartar uma nova queda – se é que ela já não nos atingiu.

A palavra “recessão” foi usada algumas vezes na terça-feira (22): a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, reconheceu que os riscos estão crescendo em vários países, e economistas do Federal Reserve de Dallas alertaram em um artigo que a economia global provavelmente não será capaz de evitar uma nova queda, na ausência de uma retomada das exportações russas de energia neste ano. Em última análise, isso depende da capacidade dos Estados Unidos e seus parceiros de suportarem as consequências negativas de terem punido o presidente russo por sua invasão da Ucrânia.

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Diante disso, a economia mundial ainda tem alguma margem antes que a situação fique realmente terrível. O FMI projeta uma expansão este ano de 4,4%, abaixo do ótimo resultado de 5,9% do ano passado, embora seja um contexto muito diferente do rombo causado pela pandemia de 2020. Alguns alertas importantes: o credor define recessão global quando o crescimento é de 2,5% ou menos – não uma contração total – e é quase certo que o fundo corte suas previsões no próximo mês. Embora a chegada em território de recessão seja improvável neste momento, o percurso pode apontar nessa direção.

Os economistas do Fed de Dallas, Lutz Kilian e Michael Plante, escreveram que a possível desaceleração poderia ser mais prolongada do que em 1991, ano seguinte à invasão do Kuwait pelo Iraque. “Se a maior parte das exportações de energia russas estiver fora do mercado até o final de 2022, uma desaceleração econômica global parece inevitável”, escreveram. Três décadas atrás, a Arábia Saudita conseguiu aliviar alguns deslocamentos no mercado aumentando a produção. Os EUA sofreram uma recessão relativamente modesta e estavam crescendo no final de 1991, embora a recuperação não tenha se tornado aparente em tempo suficiente para o então presidente George Bush, que acabou perdendo a eleição de 1992 para Bill Clinton.

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Bush mais tarde culpou Alan Greenspan, o presidente do Fed na época, por manter o crédito muito apertado. O atual presidente, Jerome Powell, poderia ajustar sua abordagem e fazer um pequeno seguro contra uma recessão? Há poucos sinais disso em comentários públicos. Na verdade, se há algum tipo de sinalização, ela aponta mais para o oposto. Falando à National Association for Business Economics, Powell parecia mais agressivo do que em sua coletiva de imprensa que já teve um tom mais hawkish na semana passada, depois que o Fed elevou sua taxa de referência em um quarto de ponto. Ele disse na terça-feira (22) que está preparado para considerar medidas de meio ponto nas próximas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto para conter a inflação. “O que nos impediria? Nada: Resumo executivo”, disse Powell, empurrando para baixo um mercado de títulos já maltratado.

Powell disse na semana passada que o mercado de trabalho está forte a um nível insalubre, deixando pouco espaço para ambiguidade sobre a prioridade agora dada à contenção da inflação. É forte: a taxa de desemprego caiu para menos de 4% no mês passado e os ganhos na folha de pagamento ficaram muito acima da estimativa. Mas Powell não pode se preocupar apenas com a economia dos EUA, mesmo que essa seja a atribuição dada ao Fed pelo Congresso. Como guardião da maior economia do mundo e a moeda de reserva do planeta, ele carrega um fardo maior. Muitos bancos centrais procuram o Fed em busca de direcionamento e orientação.

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Taxas de juros mais altas já estavam chegando antes de Putin começar seu ataque à Ucrânia. As autoridades monetárias começaram a recuar com a acomodação monetária no ano passado, e algumas, como o Banco da Inglaterra, elevaram os custos dos empréstimos antes do Fed. Mas o nome de Putin está ligado à maioria das altas até certo ponto; a maioria diz que o ataque à Ucrânia está, no mínimo, exacerbando as pressões sobre os preços. A recessão, caso chegue, terá as iniciais do mandatário russo em algum lugar da página.

O BOE foi justamente repreendido por seus fiascos de comunicação em novembro, quando pareceu sinalizar uma alta e depois recuou. Mais recentemente, a comunicação do banco parece estar mais alinhada. As autoridades subiram as taxas neste mês, mas começaram a suavizar sua linguagem. Pode ser que não haja mais grandes mudanças, mas parece que Londres registrou as ameaças ao crescimento.

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O “resumo executivo” de Powell foi terrivelmente curto e provocou risos na platéia. Se sua perspectiva estiver equivocada, a piada vai perder a graça.

Daniel Moss é colunista da Bloomberg Opinion e escreve sobre economias asiáticas. Anteriormente, foi editor executivo da Bloomberg News para economia global e liderou equipes na Ásia, Europa e América do Norte.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

– Esta coluna foi traduzida por Marcelle Castro, localization specialist da Bloomberg Línea.

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