Finanças pessoais

Quer começar a investir na Bolsa? Veja o que deve ter em mente

O futuro investidor deve conhecer sua tolerância ao risco e seu horizonte antes de investir na Bolsa

Variando seus investimentos, você consegue minimizar o risco na sua carteira
19 de Março, 2022 | 07:22 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Investir em instrumentos financeiros traz certos riscos, e nem todas as pessoas estão dispostas a tolerar as oscilações, motivo pelo qual analistas financeiros costumam explicar que é muito importante que as pessoas que iniciam no mundo dos investimentos compreendam o que buscam ao comprometer seus fundos.

Bem, qual é a coisa básica que uma pessoa deve saber antes de alocar suas economias para um determinado instrumento? “Aversão ao risco, horizonte e capacidade financeira são pilares fundamentais”, afirma Maximiliano Suárez, do Grupo Bull Market.

Horizonte

“O horizonte de investimento é o tempo que um indivíduo tem para poder deixar seu dinheiro investido. É muito importante avaliar corretamente o tempo, porque o sucesso do investimento e as alternativas de produtos nos quais é possível investir dependerão disso”, destaca o portal de investimentos do Banco Santander de Argentina (BRIO).

Em termos práticos, Suáres explica: “o horizonte de investimento de uma pessoa de 25 anos não é o mesmo de uma pessoa de 80. É muito possível que uma pessoa de 80 anos não se beneficie ao investir em algo que oferecerá retorno em 30 anos. Vamos pensar em alguém que comprou bitcoins em 2017. Se essa pessoa está viva hoje, o lucro serviu para ele, mas com certeza em 2018 ela passou muito mal com as baixas.

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Risco

Outro fator é a tolerância às oscilações, e o Santander define risco como: “A condição em que existe a possibilidade de desvio de um resultado desejado e esperado”.

Por meio da diversificação, é possível reduzir parcialmente o risco de uma carteira de ativos. Diversificar significa colocar seu dinheiro em diferentes alternativas, ou “não apostar todas as fichas”.

Nesse sentido, Suárez indicou que quem começa a investir na Bolsa deve entender que todos os investimentos oferecem risco de perdas. É aí que entra a capacidade financeira da pessoa para determinar o quanto está disposta a arriscar: “antes de investir, você deve saber o quanto a perda de capital pode impactar no seu dia a dia. Investir na bolsa também sempre traz a possibilidade de vender”.

Tipos de investidor

De acordo com a tolerância ao risco, horizonte e capacidade financeira, os perfis dos investidores podem ser definidos, segmentando-os em três grupos: conservador, moderado e agressivo.

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A empresa argentina IOL invertironline ofereceu mais detalhes à Bloomberg Línea:

  • O investidor conservador precisa de uma carteira de investimentos de baixo risco para alcançar uma estabilidade em seus investimentos sem exigir um crescimento potencial considerável em seu valor.
  • O perfil moderado não busca renda corrente, mas busca um modesto potencial de aumento no valor de seus investimentos. Da mesma forma, ele tolera um pouco de volatilidade, mas procura enfrentar menos riscos que o investidor agressivo.
  • O investidor agressivo busca uma carteira de investimentos que capte ganhos significativos em operações de alto risco, pensando que essa exposição a maior volatilidade será recompensada com maior retorno.
Foto: FreePickdfd

Alternativas

Dependendo do país, cada pessoa encontrará instrumentos adequados ao seu perfil. Por exemplo, em renda fixa, geralmente são encontrados instrumentos conservadores que permitem a criação de um cronograma de fluxo que garante uma renda mínima. No entanto, há exceções – como a compra de títulos com risco de default – mais propícias a investidores agressivos.

Enquanto isso, as ações podem ser muito atraentes para investidores moderados ou agressivos (dependendo do tipo de papel) e com um horizonte um pouco mais longo. “Ações e commodities são investimentos de médio a longo prazo – de três a cinco anos ou mais. Os fundamentos não mudam de um dia para o outro”, explica Suárez.

Uma forma de diversificar o risco é entrar em fundos de investimento comuns ou ETFs, nos quais os próprios gestores das carteiras as montam. É comum encontrar instrumentos para todos os tipos de investidores na indústria de fundos.

No entanto, tenha cuidado com promessas que são muito boas para ser verdade. Nenhum instrumento financeiro, título, ação ou criptomoeda está livre de riscos. Portanto, quando alguém promete lucros altíssimos garantidos, é melhor fugir.

O Grupo Caja Rural recomenda aos investidores: evite tomar decisões precipitadas, fuja dos gurus que prometem grandes retornos de uma hora para outra, busque apoio de um consultor financeiro e tenha uma reserva de caixa para enfrentar quaisquer imprevistos e diversifique os investimentos para reduzir o risco.

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Por sua vez, Suárez comentou sobre a importância de investir com assessores regulamentados para não cair em golpes.

O bilionário Warren Buffet, fundador da Berkshire Hathaway, costuma argumentar que você não deve investir em produtos que não conhece.

Por outro lado, o chamado Oráculo de Omaha também afirmou que “o pessimismo é amigo e a euforia, inimiga”.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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