Mercados

Petróleo negocia abaixo dos US$ 100 com recuo tomando força

Continuação das conversas diplomáticas entre Rússia e Ucrânia e menor demanda da China ajudam a aliviar preços

O West Texas Intermediate para entrega em abril caía 6%, para US$ 96,91 o barril às 6h28, horário de Brasília
Por Saket Sundria e Alex Longley
15 de Março, 2022 | 08:19 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os futuros de petróleo do West Texas Intermediate (WTI) negociavam abaixo de US$ 100 por barril nesta terça-feira (15), acumulando uma queda de 20% em uma semana tumultuada de negociações com flutuações selvagens de preços.

O ressurgimento de casos de covid-19 na China, o maior importador de petróleo do mundo, e o que parece ser um progresso nas negociações de cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia continuam a afetar os preços. Embora ainda haja preocupações de que a interrupção dos fluxos de petróleo russo esteja espremendo um mercado já apertado, a Opep e outros exportadores foram rápidos em apontar que não há escassez.

O mercado também está em meio a uma crise de liquidez, deixando os preços vulneráveis a grandes oscilações. As câmaras de compensação têm aumentado as margens - efetivamente tornando mais caro negociar a mesma quantidade de petróleo - e o interesse caiu para o menor desde 2015. A diferença entre lances e ofertas para o WTI chegou a seis centavos na terça-feira - o que normalmente seria apenas cerca de metade desse valor, outro sinal de um mercado menos ativo.

O mais recente surto de vírus da China, com lockdowns crescentes gerados pela variante ômicron altamente infecciosa em algumas das cidades e zonas econômicas mais desenvolvidas, é um desafio sem precedentes para a estratégia Covid Zero do país. A nação injetou mais fundos no sistema financeiro e estabeleceu uma taxa de referência mais fraca do que o esperado para o yuan, buscando apoiar a economia.

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“O prêmio de risco parece estar evaporando rapidamente dos preços do petróleo”, disse Norbert Ruecker, analista da Julius Baer. “A pandemia e as restrições de saúde pesam nas perspectivas econômicas da China e, portanto, na demanda por petróleo.”

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Embora os compradores continuem evitando o petróleo russo, há sinais de que as exportações podem não ser completamente cortadas, já que alguns negócios se afastam dos olhos do público. A Surgutneftegas está oferecendo flexibilidade de financiamento a alguns clientes para manter o fluxo de petróleo, enquanto a Índia está desenvolvendo um mecanismo para facilitar o comércio usando moedas locais. Ainda assim, o valor do petróleo bruto dos Urais da Rússia continua caindo.

Preços do petróleo

  • O West Texas Intermediate para entrega em abril caía 6%, para US$ 96,91 o barril às 6h28, horário de Brasília
  • O Brent para liquidação de maio recuava 5,8%, para US$ 100,73

O principal negociador da Ucrânia disse que os dois lados estão trabalhando em um possível cessar-fogo. Os EUA e a China também tiveram uma “discussão substancial” em sua primeira reunião de alto nível sobre a guerra. Enquanto isso, o Federal Reserve deve começar a apertar a política monetária nesta semana, o que está pesando nos mercados em geral.

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A invasão se espalhou pelos mercados, atiçando a inflação à medida que os governos tentam incentivar o crescimento após a pandemia. Os legisladores do Reino Unido foram informados pela consultora Energy Aspects que o país pode ter que racionar produtos como gás natural e diesel se a guerra continuar. Os consumidores já estão sentindo os efeitos, com os preços dos combustíveis de transporte subindo em todo o mundo.

--Com a colaboração de Rob Verdonck

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