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Inflação no Brasil supera previsões com impacto da guerra na Ucrânia

IPCA registrou alta de 10,54% no ano em fevereiro, com avanço mensal de 1,01%, informou o IBGE nesta sexta (11)

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Por André Rosatti
11 de Março, 2022 | 10:41 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A inflação no Brasil superou as expectativas no mês passado, no momento em que a invasão da Ucrânia pela Rússia eleva os preços globais das commodities e gera especulações de que o banco central aumentará sua taxa de juros mais do que o esperado.

  • Os preços aumentaram 10,54% em fevereiro em relação ao ano anterior, acima da mediana de 10,47% prevista em uma pesquisa da Bloomberg
  • A inflação mensal ficou em 1,01%, informou a agência nacional de estatísticas na sexta-feira, acima da estimativa de 0,95% dos analistas.

Os formuladores de políticas estão estendendo um dos ciclos de aperto mais agressivos do mundo após a pandemia, que já adicionou 8,75 pontos percentuais aos custos de empréstimos em um ano. A inflação acelerou acima da meta de 3,5% para 2022, apesar da fraca demanda. Agora, a guerra na Ucrânia está alimentando uma alta nos custos das matérias-primas - e elevando as pressões sobre os preços ao consumidor junto com eles.

O que diz a Bloomberg Economics

O resultado de fevereiro mostrou que, apesar das altas maciças de juros nos últimos 12 meses, a inflação brasileira continua alta, crescente e resiliente. Já era uma tarefa difícil para o banco central trazer a inflação para dentro da faixa alvo este ano, mas a guerra na Ucrânia agravou esse desafio, adicionando riscos significativos aos ganhos de preços.”

--Adriana Dupita, economista da América Latina

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Todos os nove grupos de bens e serviços monitorados pela agência de estatísticas ficaram mais caros no mês passado. No início do ano letivo brasileiro, bens educacionais saltaram 5,61%, enquanto alimentos e bebidas subiram 1,28%, representando os maiores impulsionadores mensais.

Os swaps de taxa de juros com vencimento em janeiro de 2023, que servem como um indicador do sentimento dos investidores sobre a política monetária, subiram 6,5 pontos-base nas negociações da manhã de sexta-feira, com os traders avaliando as chances de taxas ainda mais altas no final do ciclo de aperto. O real valorizou 0,5% para 4,9956 por dólar.

Alta de juros

Os esforços do banco central já foram complicados por gargalos na cadeia de suprimentos global, bem como por condições climáticas extremas que prejudicaram os agricultores. Em um sinal de novos drivers de inflação, a gigante estatal do petróleo Petrobras disse na quinta-feira que aumentará o custo dos combustíveis de diesel para gás.

Embora os analistas acabem vendo os preços ao consumidor diminuindo à medida que a economia esfria e as condições monetárias se tornam mais apertadas, eles alertam que a inflação provavelmente permanecerá teimosamente alta no futuro próximo.

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“Ainda não vemos a inflação global de alimentos e energia diminuindo tão cedo, o que significa que mais pressões de custos estão a caminho para a inflação do Brasil”, escreveu Andres Abadia, economista-chefe da América Latina da Pantheon Macroeconomics, em nota.

O banco central sinalizou que entregará uma alta menor para a Selic, agora em 10,75%, durante sua próxima decisão em 16 de março. Ainda assim, os traders estão apostando que os custos de empréstimos eventualmente terão que subir acima de 13% para domar os aumentos do custo de vida.

Economistas veem a combinação de altas taxas e inflação arrastando significativamente o crescimento neste ano. Analistas consultados pelo banco central esperam que o produto interno bruto cresça apenas 0,4% em 2022.

--Com a colaboração de Rafael Gayol

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