Bloomberg — As bolsas asiáticas continuaram o movimento de baixa de Wall Street no início dos negócios desta sexta-feira após a maior inflação em 40 anos elevar os rendimentos dos títulos e ampliar as expectativas de altas mais acentuados das taxas de juros.
As ações caíram no Japão e na Austrália. Por outro lado, os futuros de ações dos EUA que chegara a ter leve queda passaram a cair seguindo o sell-off no pregão em Wall Street. O Nasdaq 100 (NDX) sofreu o impacto do pessimismo uma vez que a perspectiva de aumento dos custos de crédito pesa sobre o índice de alta tecnologia. A guerra na Ucrânia não mostrou sinais de abrandamento, comprometendo o sentimento dos investidores, embora o S&P 500 (SPX) tenha fechado acima das mínimas do dia.
O petróleo reduziu o ritmo de perdas, mas ainda segue em um patamar 7% menor que os picos desta semana. O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos (GT10) passou de 2% antes de diminuir, enquanto a taxa dos papéis de 30 anos atingiu a maior nível desde maio de 2021. Os operadores do mercado de títulos aceleraram novamente suas perspectivas de aumento de juros neste ano para sete altas de um quarto de ponto. O dólar manteve os ganhos recentes em relação às demais moedas.
Ações chinesas negociadas nos EUA foram atingidas pelo movimento, com o Nasdaq Golden Dragon China Index caindo 10% na quinta-feira, sua maior baixa desde outubro de 2008.
A mais recente evidência de pressão inflacionária desencadeou o pessimismo nos mercados globais, à medida que as esperanças de progresso nas negociações entre a Rússia e a Ucrânia diminuíram. Os indicadores de preços aumentaram as preocupações dos investidores sobre os riscos para a economia global do aumento impulsionado por conflitos nos mercados de commodities nas últimas semanas. Embora os preços do petróleo tenham recuado, sinais de ganhos mais amplos de preços aumentaram o potencial para uma ação mais agressiva do Federal Reserve. Espera-se que o Fed levante as taxas de juros de zero na próxima quarta-feira.
“O maior risco é a inflação”, disse Fiona Cincotta, analista sênior de mercado do City Index. “Mesmo que os bancos centrais tentem apressar o aperto no primeiro semestre do ano, acho que olhando mais adiante, eles vão ter problema se o crescimento realmente começar a ser atingido.”
O Banco Central Europeu acelerou inesperadamente a redução do estímulo monetário, sinalizando que está mais preocupado com a inflação recorde do que com o crescimento econômico mais fraco.
Enquanto isso, mais empresas estão dando as costas à Rússia em resposta à invasão da Ucrânia. O JPMorgan Chase & Co. (JPM) juntou-se ao Goldman Sachs Group Inc. (GS) na retirada da Rússia.
Alguns dos principais movimentos nos mercados:
Ações
- Os futuros de S&P 500 (ESH2) tinham baixa de 0,4% às 10h40 em Tóquio (22h40 em Brasília). Na quinta, o S&P 500 caiu 0,4%;
- Os futuros do Nasdaq 100 (NQH2) recuavam 0,6%. O Nasdaq 100 caiu 0,8% na quarta;
- O índice Topix (TOPIX), de Tóquio, recuava 1,1%;
- O S&P/ASX 200 da Austrália (AS51) recuava 0,7%;
- O índice Hanf Seng, de Hong Kong, caía 3%;
Moedas
- O iene japonês (JPY) recuava para 116,17 por dólar;
- O yuan offshore (CNH) operava a 6,3265 por dólar;
- O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) recuava 0,1%;
- O euro (EUR) caía para US$ 1,101;
Renda fixa
- O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos subia um ponto base para 1,98%;
- O rendimento de 10 anos da Austrália subia quatro pontos base para 2,41%;
Commodities
- O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) subia 0,9% para US$ 106,91 o barril;
- O ouro era negociado a US$ 1.994,60 a onça.
(atualizado às 22h42 com cotações mais recentes)
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