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Agro

Marfrig prevê margem de dois dígitos em 2022

Primeiro trimestre já se mostra como o melhor da história, com estratégia voltada para exportação e produtos de valor agregado no mercado interno

Miguel Gularte, CEO da Marfrig para América do Sul, traça as estratégias para um novo recorde em 2022
09 de Março, 2022 | 05:56 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — O primeiro trimestre de 2022 ainda não chegou ao fim, mas o período caminha para ser o melhor da história da Marfrig (MRFG3) e dá sinais de que a empresa poderá chegar ao final deste ano com um margem líquida de dois dígitos. A previsão é do fundador e presidente do conselho de administração da empresa, Marcos Molina, que falou hoje a investidores após a divulgação na noite de ontem dos resultados do ano passado, que foram os melhores já registrados pela companhia.

A estratégia da empresa para atingir a meta passa essencialmente pelas operações na América do Sul, em especial, no Brasil. O país enfrentou problemas durante praticamente todo o ano, como a queda de 13% no abate de animais nos primeiros três meses, dificuldades logísticas para exportar, aumento dos preços da arroba e, por fim, quase dois meses sem poder vender para seu principal cliente, a China. A tempestade perfeita atingiu em cheio as operações da Marfrig no Brasil, mas foram consideravelmente compensadas pelos resultados vindos dos Estados Unidos.

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“A China, que historicamente comprava carne até outubro e depois voltava apenas em março, praticamente não parou neste ano e esteve ativa, com preços e volumes bem interessantes. Temos 13 plantas na América do Sul habilitadas a exportar para a China e vemos um cenário neste começo de ano muito diferente do que foi o ano passado”, afirma Miguel Gularte, CEO da Marfrig para a América do Sul.

Mas não é apenas do mercado externo que a Marfrig quer se beneficiar neste ano. Segundo o executivo, o plano da empresa para 2022 também pelo mercado interno, com a venda de produtos de maior valor agregado, em especial hambúrguer e cortes de carne in natura com marcas. Além disso, o segmento de food service tem respondido positivamente às menores restrições sanitárias por conta da covid. “A performance no food service está muito boa. Vemos em restaurantes de rua e de shopping o horário do almoço tendo duas rodadas de circulação de pessoas, coisa que se via apenas durante os finais de semana”, afirma Gularte.

Até o final do primeiro semestre, a Marfrig inaugura sua planta de hambúrguer em Bataguaçu. A unidade vai acrescentar uma capacidade adicional de 24 mil toneladas às 232 mil já produzidas atualmente pela empresa. “O consumo de carne in natura no mercado interno ainda é um desafio. Este é um ano eleitoral e geralmente há uma maior circulação de dinheiro. Resta saber o quanto desse dinheiro será destinado à alimentação. Se formos considerar que no ano passado, quando houve o auxílio emergencial gerou um pico no consumo, podemos ficar otimistas”, diz.

Aparentemente, o mercado gostou do que viu. No fim do pregão, as ações da Marfrig subiam pouco mais de 2% e caminhavam para fechar o terceiro dia consecutivo de alta.

Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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