Onde estão os embaixadores de Biden?
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Bloomberg Opinion — A nova guerra na Europa é certamente o maior teste de habilidade diplomática americana desde a Guerra Fria. Os Estados Unidos estão apoiando a Ucrânia construindo uma coalizão mundial para impor sanções à Rússia, uma tarefa que exige trabalhar cuidadosamente com dezenas de países para arregimentá-los e mantê-los engajados no esforço.

No entanto, os EUA estão fazendo isso sem embaixadores confirmados pelo Senado em várias nações. Corrigir essa questão precisa ser uma prioridade para o presidente Joe Biden e o Senado, e agora a maior parte do problema está na Casa Branca.

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Dos 188 cargos atuais de embaixador, cerca de um terço – 62 – estão vagos. Outro terço está preenchido por remanescentes do governo Trump ou do anterior, deixando um terço – na verdade, apenas 59 – que foram indicados por Biden e confirmados pelo Senado. Há 28 vagas cuja responsabilidade de preenchimento não pode ser atribuída a mais ninguém senão ao próprio Biden, já que não há candidatos para elas. Elas incluem a Itália, a Hungria, a República Checa e a própria Ucrânia. A maior parte do restante está empacada no Comitê de Relações Exteriores, em muitos casos porque as escolhas foram recentes (incluindo duas que acabaram de ser formalmente enviadas ao Senado na segunda-feira, 7).

Houve um impasse de embaixadores esperando pela ação do Senado, mas isso foi esclarecido, com apenas três indicados restantes pendentes no calendário executivo do Senado. Em 2021, o senador Ted Cruz, republicano do Texas, tentou bloquear todas as indicações de embaixadores por causa de uma luta política sobre o gasoduto Nord Stream 2; isso foi resolvido com uma votação no Senado no final do ano passado (e agora a Alemanha cancelou o projeto do gasoduto de qualquer maneira).

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Os republicanos até recentemente abandonaram alguns filibusters - políticos que usam táticas obstrucionistas quando estão em minoria - em algumas indicações, incluindo embaixadores, permitindo que sejam confirmados rapidamente em votações por voz. Os republicanos ainda estão se arrastando em outras indicações, algumas das quais são relevantes para elaborar e executar políticas pertinentes ao ataque russo à Ucrânia. Mas não para embaixadores.

No momento, o problema é Biden e os democratas, não o partido minoritário do Senado. Simplesmente não há desculpa. Sim, todas as vagas estão ocupadas temporariamente por embaixadores em exercício. Mas não há nada como a influência de um nome escolhido pelo presidente e confirmado pelo Senado.

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Biden e os democratas no Senado estão cometendo dois erros ao mesmo tempo. Um é a fallta de pressa de Biden em enviar nomes de candidatos sob as regras atuais. O outro? Aceitar um processo que não funciona bem. A maioria dos observadores acha que há cargos demais que precisam de confirmação do Senado, sobrecarregando muito o sistema. Reduzir o número de cargos que exigem confirmação do Senado não afetaria diretamente as escolhas de embaixadores, mas liberaria recursos da Casa Branca e do Senado para se concentrar neles.

Eu sou minoria nisso; eu gostaria que o papel do Senado permanecesse intacto, mesmo para cargos relativamente menores. Mas para que isso seja viável, tanto o Senado quanto a Casa Branca teriam que concordar em reduzir a quantidade de trabalho necessária para cada indicação, o que significa reduzir o nível de verificação invasiva e intrusiva para a maioria dos indicados. Mais uma vez, os embaixadores podem ser uma exceção, devido às suas atribuições de alto nível e oportunidades para travessuras internacionais, mas o que é realmente necessário é uma revisão em todo o sistema para determinar, cargo a cargo, quanto da papelada atual, divulgações e verificações de segurança são necessárias, com o objetivo de reduzir ao máximo a burocracia. Isso não apenas reduziria o trabalho necessário para nomear e confirmar muitos indicados, mas provavelmente expandiria o conjunto de possíveis indicados.

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Mas Biden não demonstrou interesse na reforma e não está conseguindo superar os obstáculos existentes para preencher as vagas restantes. E agora há uma crise de política externa e dezenas de vagas diplomáticas em aberto. Isso não é bom.

Jonathan Bernstein é colunista da Bloomberg Opinion e escreve sobre política. Ele foi professor de Ciência Política na Universidade do Texas, em San Antonio, e na Universidade DePauw, e é o autor de A Plain Blog About Politics.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

– Esta coluna foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

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