Finanças pessoais

Fundos fogem de riscos diante de ‘volatilidade em tudo’

Turbulência em inúmeros ativos financeiros ameaça encerrar um período épico de ganhos no mercado acionário dos EUA

Em mercados que já estavam cautelosos por causa do aperto monetário, a invasão da Ucrânia pela Rússia não poupou praticamente nenhum ativo de enormes oscilações
Por Joanna Ossinger e Lu Wang
08 de Março, 2022 | 11:05 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A turbulência em inúmeros ativos financeiros ameaça encerrar um período épico de ganhos no mercado acionário dos EUA e gestoras reduzem riscos.

Em Wall Street, só se fala em diminuir riscos. Fundos estão revertendo apostas, se livrando de ações e cobrindo posições vendidas. Nos EUA, a venda forçada de ações para cobrir posições vendidas (conhecida como de-grossing) ocorre no ritmo mais acelerado em um ano, segundo dados do Goldman Sachs Group.

Em mercados que já estavam cautelosos por causa do aperto monetário, a invasão da Ucrânia pela Rússia não poupou praticamente nenhum ativo de enormes oscilações. A volatilidade em ações, títulos de dívida, commodities, ouro e petróleo é a mais alta em um ano em todos os casos, segundo dados da Sundial Capital Research. Essa pressão combinada tem poucos precedentes,

“A volatilidade em tudo está aumentando”, escreveu Jason Goepfert, da firma de pesquisa, em nota divulgada na segunda-feira. “Esse é um incrível momento de preocupação com múltiplos ativos, raramente visto nos últimos 30 anos.”

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Houve poucos sinais de pânico até agora, mas existe o perigo de o movimento de vendas formar uma bola de neve. Gigantescas gestoras de recursos operam sob estruturas de administração de riscos que determinam a venda de ativos da carteira diante da volatilidade crescente. Esse ciclo de venda é chamado de choque VAR, em referência à sigla em inglês para o modelo de valor em risco.

Há o temor de que os preços mais altos das commodities prejudiquem o sentimento do consumidor. O S&P 500 sofreu a maior queda desde 2020 na segunda-feira, em meio a preocupações com as consequências da aceleração da inflação. O Nasdaq Composite caiu mais de 20% em relação ao recorde e entrou no território de mercado pessimista.

Na semana passada, estrategistas de Wall Street revisaram para baixo seus alvos para o S&P 500 no final do ano, citando o risco de recessão entre suas preocupações.

Eventos imprevisíveis

“A volatilidade do mercado está sendo impulsionada por eventos totalmente imprevisíveis”, escreveram estrategistas da 22V liderados por Dennis DeBusschere, em nota divulgada na segunda-feira. “E isso será verdadeiro até haver alguma resolução de curto prazo para a guerra na Ucrânia.”

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O VIX — ou índice de volatilidade Cboe, que acompanha oscilações implícitas no S&P 500 — está no nível mais alto desde o início de 2021. O ICE BofA MOVE — indicador semelhante, mas para títulos do Tesouro americano — está nos patamares vistos no auge da incerteza em relação à pandemia de Covid-19, em março de 2020. O JPMorgan Global FX Volatility Index também está no maior nível desde 2020.

A volatilidade de ações, instrumentos de juros e commodities está “extremamente estressada”, embora a situação seja comparativamente melhor nos mercados de câmbio e spreads de crédito, escreveram estrategistas do Credit Suisse Group liderados por Mandy Xu, em outra nota distribuída na segunda-feira.

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