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Ásia: Hong Kong desaba 4% e futuros de NY têm forte baixa com alta do petróleo

O euro caiu e ficou abaixo da paridade com o franco suíço. O dólar subiu em relação aos principais pares

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Por Andreea Papuc
06 de Março, 2022 | 09:48 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Os mercados de ações asiáticos e os futuros de ações dos EUA caíram nesta segunda, enquanto ativos de proteção como títulos soberanos subiram, ampliando a preocupação com o choque inflacionário resultante da disparada do petróleo com a possibilidade de embargo da produção russa.

Contratos S&P 500 (SPX) e Nadaq 100 (NDX) caíram mais de 1,5%, enquanto Hong Kong e Japão lideraram as perdas entre as bolsas asiáticas.

A bolsa de Hong Kong teve baixa de mais de 4% no índice Hang Seng, o maior recuo desde março de 2009. O Hang Seng setorial de tecnologia teve perdas de 5%. A China reportou 526 casos locais de covid, o maior patamar desde o início da pandemia em Wuhan. Um índice de ações asiático estava a caminho de um mercado em baixa – uma queda de mais de 20% em relação ao pico de fevereiro de 2021.

O petróleo Brent atingiu US$ 139 o barril e o West Texas Intermediate (WTI) passou de US$ 130.

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O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse no domingo que os EUA e seus aliados estão analisando um embargo coordenado após a invasão da Ucrânia pela Rússia, garantindo ao mesmo tempo um suprimento global adequado. Os futuros de ações já apontavam para quedas no Japão e Hong Kong e um início suave na Austrália.

O euro caiu e ficou abaixo da paridade com o franco suíço. O dólar subiu em relação aos principais pares. A demanda por ativos defensivos o dólar para o maior nível desde 2020 e estimulou uma alta nos títulos soberanos. Os rendimentos recuaram dos títulos soberanos recuaram, com a taxa do Treasurie de 10 anos (GT10) descendo para a casa de 1,70%.

O franco suíço caiu em relação ao dólar depois que um membro do conselho de administração do Banco Nacional Suíço disse que está pronto para intervir para enfrentar o rápido fortalecimento.

Commodities preocupam

Um índice de commodities teve o maior salto já registrado na semana passada, aumentando o espectro de pressões crescentes sobre os preços. A economia global já estava lutando com a alta inflação devido aos desafios da era da pandemia.

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O Federal Reserve e outros bancos centrais importantes enfrentam a difícil tarefa de apertar a política monetária para conter o custo de vida sem derrubar a expansão econômica ou agitar ativos de risco.

“Para a economia dos EUA, agora vemos estagflação, com inflação persistentemente mais alta e crescimento econômico menor do que o esperado antes da guerra”, escreveu Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, em nota. “Para investidores em ações, achamos que 2022 continuará sendo um dos anos mais difíceis desse mercado em alta.”

O presidente do Fed Bank de Chicago, Charles Evans, disse na sexta-feira que o banco central deve aumentar as taxas de juros para perto de sua configuração “neutra” este ano, implicando em até sete aumentos de 0,25 ponto percentual.

“Os bancos centrais estão enfrentando um choque estagflacionário exógeno sobre o qual não podem fazer muito”, escreveu Silvia Dall’Angelo, economista sênior da Federated Hermes, em nota.

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin assinou um decreto permitindo que o governo e as empresas paguem os credores estrangeiros em rublos, buscando evitar inadimplências enquanto os controles de capital permanecem em vigor. As sanções determinarão se os investidores internacionais podem receber pagamentos, disse o Ministério das Finanças.

A China sinalizou que mais estímulos estão a caminho, estabelecendo uma meta de crescimento econômico acima das previsões. O primeiro-ministro Li Keqiang prometeu na abertura do Congresso Nacional do Povo, o maior evento do Partido Comunista, tomar medidas ousadas para proteger a economia à medida que os riscos aumentam.

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Aqui estão alguns eventos importantes desta semana:

  • Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, durante o NPC, segunda-feira;
  • Comércio da China, reservas estrangeiras, segunda-feira;
  • Evento de novos produtos da Apple, terça-feira;
  • Relatório de estoques de petróleo bruto da EIA, quarta-feira;
  • China: Financiamento agregado, PPI, CPI, oferta de dinheiro, novos empréstimos em yuan, quarta-feira;
  • O presidente do Reserve Bank of Australia, Philip Lowe, fala, quarta e sexta-feira;
  • Presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, fala após reunião de política, quinta-feira;
  • EUA: CPI, pedidos de seguro desemprego, quinta-feira;

Alguns dos principais movimentos nos mercados:

Ações

  • Os futuros de S&P 500 (ESH2) tinham baixa de 1,6% às 10h55 em Tóquio (22h55 em Brasília). Na sexta, o S&P 500 caiu 0,8%;
  • Os futuros do Nasdaq 100 (NQH2) recuavam 2%. O Nasdaq 100 caiu 1,4% na sexta;
  • O índice Topix (TOPIX), de Tóquio, tinha baixa de 3,2%;
  • O índice Kospi (KOSPI), de Seul, recuava 2,4%;
  • O S&P/ASX 200 da Austrália (AS51) caía 1,2%;
  • O índice Hang Seng, de Hong Kong, recuava 4%;

Moedas

  • O iene japonês (JPY) recuava 0,1% para 114,91 por dólar;
  • O yuan offshore (CNH) subia 0,1% para 6,3290 por dólar;
  • O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) subia 0,36%;
  • O euro (EUR) caía 0,5% para US$ 1,0877;

Renda fixa

  • O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos caíram 11 pontos base para 1,73% na sexta;
  • O rendimento de 10 anos da Austrália caia cinco pontos base para 2,10%;

Commodities

  • O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) subia 8% para US$ 124,90 o barril;
  • O ouro era negociado a US$ 1.985,71 a onça, com alta de 0,17.

(atualizado às 22h59 com abertura dos mercados em Hong Kong)

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