Internacional

Itália buscou acordos com russos pouco antes de Putin invadir Ucrânia

Conversas em Moscou incluíram uma possível parceria entre a italiana Ansaldo Energia e o NordEnergoGroup

Empresas italianas buscaram acordos com russos pouco antes de Putin invadir Ucrânia
Por Alberto Nardelli, Chiara Albanese e Alberto Brambilla
26 de Fevereiro, 2022 | 10:05 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Autoridades italianas e russas se reuniram para discutir potenciais investimentos empresariais no valor de centenas de milhões de euros pouco mais de uma semana antes de Moscou invadir a Ucrânia, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

As conversas em Moscou incluíram uma possível parceria entre a Ansaldo Energia, com sede em Gênova, e o NordEnergoGroup, da Rússia, segundo as pessoas, que pediram para não serem identificadas divulgando negociações privadas.

O plano de investimento da empresa de energia Enel SpA (ENEL), com sede em Roma, na Slovenske Elektrarne junto com o russo Sberbank, que financia a concessionária eslovaca há décadas, também foi discutido, disseram as pessoas. Outros tópicos incluíam um investimento de 200 milhões de euros (US$ 225 milhões) do grupo de alumínio Rusal em uma fábrica que possui na Sardenha, além de um acordo recente entre empresas de tecnologia de mineração.

Representantes da empresa não compareceram pessoalmente ao evento em Moscou, disseram as pessoas. Ansaldo Energia e Rusal se recusaram a comentar, enquanto um porta-voz disse que o primeiro-ministro italiano Mario Draghi não tinha conhecimento da reunião.

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Um porta-voz da Enel disse que “não há negociações sobre planos de investimento adicionais na Slovenske Elektrarne com o Sberbank”.

Conexões significativas

A Itália, que havia sido cautelosa em apoiar medidas mais duras em resposta aos ataques, tem laços comerciais significativos com companhias russas, com o comércio entre os países valendo mais de 21 bilhões de euros no ano passado, segundo a agência comercial italiana. O país também importa cerca de 45% do seu consumo de gás da Rússia, uma das maiores participações da União Europeia.

As conversas na semana que começou em 14 de fevereiro ocorreram depois que um grupo de líderes empresariais italianos participou de uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, no final de janeiro, apesar de um pedido do escritório de Draghi para que fosse cancelado devido à situação geopolítica. Entre os participantes estava o CEO da Enel, Francesco Starace, que também é irmão do embaixador da Itália em Moscou.

A Bloomberg News informou anteriormente sobre documentos mostrando que nações europeias buscaram incluir exceções relacionadas a acordos de energia às sanções financeiras sobre a crise na Ucrânia. Os países levantaram preocupações sobre setores sensíveis às suas economias, embora a Itália negue buscar isenções.

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Embora as posições tenham mudado desde a invasão, as medidas introduzidas até agora pelos EUA e pela UE permanecem limitadas. O impulso parecia estar mudando para passos mais fortes no fim de semana, no entanto, com o governo italiano dizendo no sábado que apoiaria qualquer decisão da UE de expulsar a Rússia do sistema de pagamentos internacionais Swift.

A Itália não fez nenhum pedido de exclusão de #sanções. A posição da Itália está totalmente alinhada com o resto da UE. #Ucrânia

— Palazzo_Chigi (@Palazzo_Chigi) 25 de fevereiro de 2022

Turbinas a gás

A Ansaldo vem tentando há meses vender grandes turbinas a gás para Moscou, que tem capacidade de produção limitada, em troca de condições comerciais favoráveis, disse uma pessoa, mas as negociações anteriores falharam porque a lei russa exige que algumas peças sejam feitas localmente. Outra pessoa disse que as negociações continuam lentas.

A Ansaldo é controlada pelo credor estatal italiano Cassa Depositi e Prestiti SpA, com participação da chinesa Shanghai Electric.

O NordenergoGroup, que também se recusou a comentar, é de propriedade do bilionário Alexei Mordashov, cujo negócio Power Machines foi sancionado pelos EUA por fornecer turbinas para a Crimeia depois que a Rússia anexou a península em 2014.

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Os participantes da reunião de Moscou também discutiram o potencial das empresas italianas na Rússia de forma mais ampla, disseram as pessoas. A Itália é atualmente o sétimo maior mercado da Rússia e o 14º maior em importações, de acordo com dados mais recentes do Ministério das Relações Exteriores.

--Com assistência de John Follain e Yuliya Fedorinova.

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