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Internacional

China se recusa a condenar ataque russo e desvia a culpa para os EUA

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores repetidamente evitou perguntas durante uma tensa entrevista coletiva nesta quinta

Moradores com seus pertences aguardam transporte público em Kiev, Ucrânia, na quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Por Bloomberg News
24 de Fevereiro, 2022 | 07:49 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A China se recusou a condenar o ataque da Rússia à Ucrânia, e, ao invés disso, pediu moderação por “todas as partes”, repetindo as críticas de que os EUA eram os culpados por “exagerar” a perspectiva de guerra no Leste Europeu nos últimos dias.

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A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, repetidamente evitou perguntas durante uma tensa entrevista coletiva nesta quinta-feira (24) sobre se Pequim considerava a incursão militar de Moscou no território ucraniano uma invasão. Hua disse que a China “não queria ver o que aconteceu na Ucrânia”, acrescentando que a soberania e a integridade territorial de todos os países devem ser protegidas.

“As partes diretamente envolvidas devem exercer moderação e evitar que a situação saia do controle”, disse Hua.

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Ao mesmo tempo, o país reiterou a necessidade de abordar as “legítimas preocupações de segurança” do presidente Vladimir Putin, citando as vendas de armas americanas para Kiev. Hua destacou as garantias de Moscou de que as cidades não seriam atacadas, enquanto disse que a Rússia era independente e poderia definir uma estratégia com base em seus próprios interesses.

Veja mais: Rússia lança amplo ataque à Ucrânia em ‘dia sombrio’ para a Europa

“Afirmamos muitas vezes que os EUA recentemente aumentaram a tensão e agigantaram a guerra”, disse Hua.

O ataque de Putin deixou o presidente chinês Xi Jinping com um difícil ato de equilíbrio: manter uma frente unida com Moscou contra os EUA, evitando uma associação direta com as ações desestabilizadoras de Putin. No início deste mês, o líder chinês apoiou a demanda da Rússia por garantias de segurança obrigatórias dos EUA e da OTAN no impasse – fornecendo apoio vital a Putin.

Uma resolução que está sendo redigida nas Nações Unidas condenando a Rússia pode forçar a China a assumir novamente uma posição formal nos próximos dias. O embaixador do país na ONU, Zhang Jun, foi o único orador em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança na quarta-feira que não criticou as ações da Rússia.

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“A porta para uma solução pacífica para a questão da Ucrânia não está totalmente fechada”, disse Zhang, mesmo quando as forças russas começaram seu ataque.

A China e a Rússia têm uma relação econômica e comercial cada vez mais forte, apoiada pela crescente demanda chinesa por energia, alimentos e outros bens. A energia representou dois terços das importações chinesas da Rússia no ano passado e deve continuar crescendo após a assinatura de acordos de fornecimento de gás e petróleo quando Xi e Putin se encontraram em Pequim.

As sanções dos EUA também colocam as instituições financeiras estatais da China em uma situação difícil, já que estabeleceram laços estreitos com as contrapartes russas na última década. O China Development Bank e o Export-Import Bank of China forneceram dezenas de bilhões de dólares de crédito à Rússia como parte da Iniciativa do Cinturão para financiar tudo, desde infraestrutura até desenvolvimento de petróleo e gás.

--Com a colaboração de Jing Li, Lucille Liu, James Mayger, Heng Xie, Zheng Li, Yujing Liu e Douglas Huang

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