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Futuros de NY apontam recuperação apesar de sanções à Rússia

Os títulos do Tesouro dos EUA caíram e a curva de rendimentos se achatou em meio a uma alta nas commodities

Futuros de NY apontam recuperação apesar de sanções à Rússia
Por Andreea Papuc
22 de Fevereiro, 2022 | 10:59 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Os futuros de ações dos EUA subiram na manhã desta quarta-feira junto com as ações asiáticas, com os investidores avaliando o escopo das sanções impostas à Rússia para avaliar os riscos geopolíticos do impasse sobre a Ucrânia.

As ações subiram na Austrália e na Coreia do Sul, enquanto os contratos de Hong Kong caíram. Na terça, o S&P 500 (SPX) entrou em correção, caindo 10% em relação ao pico de janeiro. Um indicador que mede o dólar em relação às demais moedas globais e o ouro operavam estáveis já que a demanda por ativos de defensivos diminuiu um pouco.

Os EUA, a Europa e o Reino Unido divulgaram sanções contra a Rússia depois de reconhecer duas autoproclamadas repúblicas separatistas no leste da Ucrânia como independentes. As sanções não chegaram a representar os movimentos devastadores ameaçados, mas os EUA - que disseram que uma invasão russa na Ucrânia começou - alertaram que elas podem ser intensificadas.

Os títulos do Tesouro dos EUA caíram e a curva de rendimentos se achatou em meio a uma alta nas commodities que destacou os riscos econômicos da inflação. Não há negociação à vista de títulos do Tesouro dos EUA pois os mercados japoneses estão fechados por um feriado local. O rendimento dos títulos de três anos da Austrália atingiu o maior patamar em quase três anos.

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Os temores de que o impasse na Ucrânia possa interromper o fornecimento de commodities impulsionaram commodities como energia, trigo e níquel. O petróleo bruto reduziu parte dos ganhos recentes com a possibilidade de retomada das exportações iranianas se o país chegar a um acordo nuclear com as potências mundiais.

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou medidas contra a venda de dívida soberana da Rússia no exterior e as elites do país. Embora o presidente Vladimir Putin tenha negado que a Rússia pretenda invadir a Ucrânia, a câmara alta da Rússia lhe deu luz verde para enviar tropas para as regiões controladas pelos separatistas.

Os riscos geopolíticos estão pressionando ainda mais os mercados, que já estavam estressados pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva do Federal Reserve para combater a inflação. As expectativas de aumentos de juros pelo Fed ampliaram à medida que os investidores ponderaram as implicações dos custos mais elevados das matérias-primas na sequência da tensão na Ucrânia.

A disputa com a Rússia está “potencialmente agravando um choque de oferta persistente”, disse Steven Wieting, estrategista-chefe de investimentos do Citigroup Private Bank (C), à Bloomberg Television. “Como o Federal Reserve quer lidar com essa questão específica é realmente a dúvida que alimenta os mercados dos EUA e o mundo em geral.”

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Analisando as penalidades

Biden disse que os EUA também estão trabalhando com a Alemanha para garantir que a certificação do oleoduto NordStream 2, que vai da Rússia para a Alemanha, não avance.

Os mercados parecem ver as várias sanções “tão modestas e talvez não tão agressivas quanto se temia”, escreveu Chris Weston, chefe de pesquisa da Pepperstone Financial Pty, em nota. Ele acrescentou que as percepções ainda podem mudar rapidamente, pois os eventos são fluidos.

Os dados mais recentes dos EUA mostraram que os dados do PMI da industria e de serviços da Markit superaram as estimativas, sugerindo que as preocupações recentes de crescimento foram impulsionadas pela variante ômicron. Mas a confiança do consumidor dos EUA está no nível mais baixo desde setembro.

Na China, os reguladores pediram à China Huarong Asset Management Co. e seus pares para comprar ativos imobiliários de incorporadoras com problemas e formular planos para assumir ou reestruturar dívidas menores, buscando estabilizar a segunda maior economia do mundo.

Aqui estão alguns eventos importantes desta semana:

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  • governador do BOE, Andrew Bailey, fala perante o Comitê do Tesouro, na quarta-feira;
  • Decisão política monetária do Banco da Coreia, quinta-feira;
  • Relatório de estoques de petróleo bruto da EIA, quinta-feira;
  • Autoridades do Fed Loretta Mester e Raphael Bostic falam, quinta-feira;
  • EUA: Vendas de casas novas, PIB, pedidos iniciais de seguro-desemprego, quinta-feira
  • EUA: Renda do consumidor, bens duráveis, deflator PCE, sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, sexta-feira;

Alguns dos principais movimentos nos mercados:

Ações

  • Os futuros de S&P 500 (ESH2) tinham alta de 0,4% às 10h55 em Tóquio (22h55 em Brasília). Na terça, o S&P 500 recuou 1%;
  • Os futuros do Nasdaq 100 (NQH2) tinham alta de 0,5%. O Nasdaq 100 caiu 1%;
  • O S&P/ASX 200 da Austrália (AS51) subia 0,3%;
  • O índice Kospi (KOSPI), de Seul, tinha alta de 0,2%;
  • Os futuros do índice Hang Seng (HSI), de Hong Kong, recuavam 0,3%;

Moedas

  • O iene japonês (JPY) era negociado a 115,10 por dólar;
  • O yuan offshore (CNH) estava em 6,3237 por dólar;
  • O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) operava estável;
  • O euro (EUR) estava em US$ 1,1333;

Renda fixa

  • O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos subia um ponto base para 1,94%
  • O rendimento de 10 anos da Austrália subia nove pontos base para 2,29%;

Commodities

  • O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) recuava 0,2% para US$ 91,72 o barril;
  • O ouro era negociado a US$ 1.898,56 a onça.

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