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Bloomberg Opinion — Quase todo mundo precisa ou quer trabalhar até os 50 anos e a maioria precisa trabalhar até os 60 anos. Mas a pandemia não foi gentil com os trabalhadores mais velhos.

A “Grande Demissão” – um termo que descreve aqueles que foram encorajados a buscar aumentos ou descobrir coisas melhores para fazer do que trabalhar – se aplica principalmente a trabalhadores jovens e com mobilidade. Apenas funcionários de 16 a 24 anos tiveram grandes ganhos salariais, enquanto os salários dos profissionais mais velhos ficaram estagnados. Além disso, uma parcela considerável de trabalhadores mais velhos, cerca de 15%, perdeu seus empregos em 2020, em comparação com 14% dos trabalhadores em idade ativa. Essa dinâmica não condiz com a tendência de perda de emprego de trabalhadores mais velhos, que geralmente é menor em comparação com outras faixas etárias durante uma recessão.

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Uma parcela maior do que o esperado de profissionais mais velhos, em seus 60 anos ou mais (presumivelmente com maiores reservas para a aposentadoria e medo da covid-19) de fato optou por se aposentar. Mas muitos trabalhadores não tão mais velhos, ou aqueles com idades entre 55 e 64 anos, parecem ter sido forçados a sair do trabalho – muitas vezes sem um patrimônio substancial para a aposentadoria.

O saldo médio da conta de aposentadoria para trabalhadores mais velhos é de US$ 15.000, o que significa que é provável que muitos desses trabalhadores estejam procurando voltar ao mercado de trabalho. Durante uma audiência econômica bipartidária no Congresso recentemente, a senadora Amy Klobuchar fez uma pergunta o que tem rondado a mente de muita gente, cuja essência é: se os empregadores precisam de trabalhadores e há milhões de trabalhadores mais velhos que foram forçados a sair do trabalho, como os trabalhadores mais velhos podem ocupar essas vagas abertas?

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Embora pareça bastante simples, fatores como preconceito do empregador e habilidades incompatíveis são obstáculos difíceis de superar. Mas há algumas coisas que profissionais mais velhos, empregadores e até a Oprah podem fazer para melhorar suas perspectivas.

Em primeiro lugar, os trabalhadores mais velhos em busca de emprego devem aproveitar os serviços disponíveis voltados especificamente para eles. A AARP, nos Estados Unidos, patrocina workshops online e presenciais para candidatos a emprego com 50 anos ou mais. Outro recurso é a Encore Network, que conecta profissionais que se encaixam nessa faixa demográfica. Pode ser útil procurar empregadores que sinalizam em seus sites que têm menos preconceito de idade do que a maioria. Nos Estados Unidos, o site Retirementjobs.com ou as empresas com o Certified Age Friendly Employer Program, que identifica empresas que dizem estar comprometidas em apoiar trabalhadores com 50 anos ou mais, como a AT&T e a CVS, são exemplos disso.

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Também é importante que os trabalhadores mais velhos não deixem que o trabalho não remunerado impeça sua busca por emprego, se possível. Muitos trabalhadores que deixaram o mercado de trabalho durante a pandemia o fizeram para prestar cuidados não remunerados. Mães de crianças em idade escolar dominaram as manchetes, mas homens e mulheres mais velhos também prestam cuidados não remunerados consideráveis. Com os empregos na área de saúde caindo em mais de 370.000 vagas (incluindo mais de 200.000 em asilos), não é surpreendente que os trabalhadores mais velhos sintam-se pressionados a assumir alguns cuidados, como para o cônjuge ou para os netos. Mas as perdas salariais por ser cuidador familiar são consideráveis.

Voltar para a faculdade provavelmente não é a resposta. Conseguir um segundo mestrado é um custo que pode nunca ser recuperado. Em vez disso, experimente cursos através do MOOC ou Coursera para “trilhar” seu caminho para um novo emprego. Algumas das aulas oferecidas estão vinculadas a empregos, como programação ou ciência de dados, enquanto outras fornecem certificações formais e presenciais, como o sistema de Lean/Six Sigma para operações comerciais.

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E até mesmo uma celebridade como a Oprah pode ajudar. Ela poderia fazer uma versão de seu clube do livro, mas para cursos online que ela sugere. Muitas pessoas começam essas aulas, mas não terminam, pois é difícil manter a energia e a dedicação por duas a três horas de estudo durante sete semanas. Fazer isso com outras pessoas pode ser divertido e trazer mais senso de responsabilidade e compromisso aos participantes.

Já os empregadores devem fazer o possível para substituir seus preconceitos conscientes ou inconscientes contra os trabalhadores mais velhos. Elimine termos como “energético” e “nativo digital” e, em vez disso, especifique “maduro”, “experiente” e “confiável” em anúncios de emprego para que o mercado (e os advogados) saibam que você recebe candidatos mais velhos.

Que a IBM seja uma história de advertência. A empresa está enfrentando um processo de discriminação por idade, e e-mails internos divulgados recentemente como parte do processo mostram que os executivos descreveram os funcionários mais velhos como “dinobabes” (ou bebês-dinossauros) que deveriam ser extintos.

A idade de aposentadoria varia e não se pode ter controle total sobre o momento exato em que esse dia vai chegar. Mas se o mercado está empurrando você para uma idade de aposentadoria mais precoce do que você desejaria, lembre-se de que existem maneiras de resistir.

Teresa Ghilarducci é professora de economia Schwartz na New School for Social Research. Ela é co-autora de “Rescuing Retirement” e membro do conselho de diretores do Economic Policy Institute.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e seus proprietários.

– Esta coluna foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

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