Guedes promete redução do IPI em 25% e possível saque do FGTS

Em evento do BTG Pactual, ministro da Fazenda diz que analistas vão passar o ano revisando para cima projeções do PIB do Brasil

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São Paulo — O ministro da Economia Paulo Guedes disse nesta terça-feira (22) que o governo federal vai reduzir a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em 25%. Ele não deu detalhes sobre a medida.

“Vamos já baixar o IPI”, afirmou durante participação num evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo. Segundo ele, houve um aumento de arrecadação tributária que permite reduzir esse tributo, a fim de promover “uma reindustrialização no Brasil”.

A redução do IPI de produtos como carros e eletrodomésticos foi adotada durante os governos anteriores, a fim de estimular o consumo, a atividade da indústria e do comércio desses segmentos, importantes geradores de vagas de emprego.

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Guedes também citou, sem detalhar, outras medidas em estudo, como a possibilidade de liberar o saque do FGTS (fundo de garantia) pelos trabalhadores, a fim de pagar dívidas, e reduzir o custo de importação do Mercosul, a chamada TEC (Tarifa Externa Comum).

O ministro também mencionou que o governo prepara o lançamento de um programa para estimular o crédito, que reúne linhas de financiamento já existentes em outros bancos públicos de fomento, com o de microcrédito do BNB (Banco do Nordeste).

Ele destacou ainda que o plano de privatizações, que inclui a Eletrobrás e leilões de concessões de infraestrutura, vai seguir neste ano eleitoral com efeito positivo nas contas públicas com a entrada de recursos e investimentos privados nessa área.

Os analistas vão passar o ano revisando as previsões do PIB do Brasil para cima”, afirmou o ministro, criticando os autores de projeções pessimistas para a economia brasileira.

Em conversa com o economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, Guedes classificou de “desonestidade intelectual” quem critica a atuação do governo durante a pandemia da covid.

Não faltou dinheiro para a saúde”, disse o ministro, acrescentando iniciativas de saneamento das finanças de estados e municípios, aprovações de marcos regulatórios de setores como saneamento, ferrovias e gás, implementação da tecnologia 5G para as telecomunicações, independência do Banco Central, entre outras.

Falando para uma plateia presencial e online de empresários e outros agentes do mercado, Guedes evitou declarações polêmicas e deu pistas de como vai ser o discurso econômico do governo durante a campanha da reeleição, colocando foco nos efeitos do pagamento do auxílio emergencial, criado para enfrentar a pandemia, para mitigar o impacto da crise sanitária mundial para as empresas e consumidores.

O ministro disse que o Auxílio Brasil ajudou na transferência direta de renda para a população mais vulnerável durante “tempos de guerra”, em referência à pandemia da covid. Guedes relacionou os moldes desse programa à ideia de transferência direta de renda básica, do economista americano Milton Friedman (1912-2006), nome mais importante da Escola de Chicago, defensor do pensamento econômico liberal, do livre mercado e da mínima intervenção do Estado.

O Auxílio Brasil de R$ 400 tem o dobro do valor do Bolsa Família”, comparou, em referência ao programa criado durante o governo do ex-presidente Lula, hoje líder nas pesquisas nacionais sobre a sucessão presidencial, à frente do presidente Jair Bolsonaro.

Guedes chamou de “leitura errada” quem acusa o governo de “populismo fiscal”. “Anunciamos o primeiro superávit em oito anos”, citou, em alusão ao resultado primário das contas públicas. Ele reclamou do “barulho político” criado durante a tramitação das propostas de reformas no Congresso Nacional e as críticas à gestão da pandemia pelo governo. Segundo Guedes, os analistas que projetam crescimento ínfimo para o Brasil neste ano estão “contaminados pela bolha política” e praticando “militância política”.

O ministro repetiu que o Brasil está vivendo uma “revolução silenciosa”, em meio ao ruído político com a disputa eleitoral. “Os analistas vão errar de novo: vão passar o ano revisando para baixo o crescimento da economia mundial e revisar para cima as previsões para o Brasil. Nosso Banco Central foi o primeiro a acordar e a elevar os juros no ano passado, enquanto agora os bancos centrais dos EUA, da Europa, estão acordando para isso. A inflação no mundo chegou para ficar”, afirmou Guedes.

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