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Brasil

Em remake ‘paz e amor’, Lula cita Bíblia e diz que não busca vingança

No aniversário do PT, ex-presidente citou prisão e colocou ênfase em promessas de caráter social, evitando confronto

Lula em discurso no aniversário do PT
10 de Fevereiro, 2022 | 09:51 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Na solenidade de comemoração do aniversário de 42 anos do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva leu um discurso emotivo em que citou trecho bíblico para dizer que não tem sede de vingança e enfatizou o caráter social de um eventual novo mandato. No discurso aos seus aliados mais fiéis, Lula encarnou novamente o figurino de “paz e amor”, pelo qual se notabilizou na campanha de 2002, quando venceu sua primeira eleição presidencial.

Lula disse que o discurso foi escrito para responder àqueles que se perguntam se ele “vai querer se vingar de alguém, perseguir quem o perseguiu”.

“Fundamos o PT para combater as desigualdades, a concentração de renda, a fome, a inflação, o desemprego, o atraso econômico, a subserviência do Brasil aos interesses estrangeiros. Combatemos, e vencemos, tanto na oposição quando no governo”, disse, lendo o pronunciamento.

“Fui vítima do ódio, que me custou 580 dias de prisão injusta e ilegal, condenado à saudade incurável dos meus entes queridos e do povo brasileiro, a quem amo de paixão. Mas sempre fui, e serei, acima de todos os ódios, abençoado pelo amor. Aprendi na Bíblia que ‘se eu não tiver amor, eu nada serei’”, afirmou, citando trecho famoso da primeira Carta de Paulo aos Coríntios.

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Num outro trecho, fez outra referência religiosa: “Jesus Cristo, o ser humano mais extraordinário que passou por esse planeta, nos ensinou a maior de todas as lições: Amai-vos uns aos outros”.

Ele não citou Bolsonaro pelo nome, mas culpou a “atitude criminosa e a negação da ciência” do atual governo pelas mortes na pandemia.

ÊNFASE SOCIAL: Falando ao seu público mais fiel, o ex-presidente esboçou o que seriam as prioridade sociais de um novo mandato, como reajuste do salário mínimo acima da inflação, salário mínimo volte a ser reajustado acima da inflação e prometeu fazer os combustíveis e a energia elétrica caberem “de novo no bolso dos brasileiros”.

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Sobre as estatais, disse que a Petrobrás (PETR4) e Eletrobrás (ELET6) deveriam " voltar a ser patrimônio do povo brasileiro” e que “boiada nenhuma” vai passar, referindo-se à questão ambiental.

No final, já abandonando a leitura do texto, afirmou: “O PT existe para cuidar do povo oprimido, para cuidar daqueles que nunca tiveram vez nem voz. É por isso que o PT tem tantos inimigos, mas estejam certos que o PT vai continuar nessa batalha, vamos vencer essa batalha e o Brasil será um país livre, soberano e o seu povo voltará a ser feliz”

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AFAGOS A DILMA: Antes da leitura do discurso, Lula afagou politicamente a sucessora que perdeu o cargo de presidente no processo de impeachment. Duas semanas atrás, ele disse que Dilma não integraria um novo governo do PT, caso fosse eleito.

“Dilma é uma das grandes injustiçadas que a elite brasileira escolheu para tentar criminalizar o PT, como criminalizaram o PT. Nós do PT, por mais que alguém possa ter divergência a você, nós do PT não podemos admitir que nenhum inimigo nosso, um conservador que represente a elite atrasada, fale mal de você.”

O evento de aniversário de 42 anos do PT ocorreu de forma virtual. Líderes da esquerda internacional, como Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista britânico, e Jean-Luc Mélenchon, do partido França Insubmissa, gravaram vídeos homenageando o partido e desejando sorte a Lula na disputa presidencial.

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.