Bloomberg — O comandante do Banco do Japão enfrenta dificuldades para convencer investidores de que sua política monetária não terá uma grande mudança, após diversos bancos centrais sinalizarem uma postura mais agressiva.
Haruhiko Kuroda continua insistindo que a estrutura oficial que controla os rendimentos dos títulos de dívida segue firme e que nenhum ajuste está sendo considerado, diante do fraco avanço dos preços no país.
No entanto, a instituição deixou passar a oportunidade de reforçar essa mensagem na quarta-feira, ao manter o plano trimestral de compras de títulos em vez de acelerar as compras para conter a alta dos rendimentos, que atingiram o maior nível em seis anos no início do dia.
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A inação vista até agora sugere que o BC japonês está disposto a tolerar que os rendimentos se aproximem do teto estabelecido e que sua ameaça de operações prefixadas mais amplas basta para segurar os investidores, apesar da maré global de alta dos rendimentos.
Mas a pressão de alta deve voltar e, mais cedo ou mais tarde, a instituição precisará reforçar sua mensagem com ações e não só com palavras.
“A especulação em torno de possíveis ajustes na política monetária só vai diminuir quando o Banco do Japão agir para deter a alta dos rendimentos”, disse Yoshimasa Maruyama, economista-chefe de mercado da SMBC Nikko Securities.
Kuroda é o último entre os líderes dos principais bancos centrais — excluindo o da China — a manter uma postura firme de flexibilidade monetária. Na semana passada, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, mudou de rumo em direção a um aperto. Na Austrália, Philip Lowe traçou um cenário de alta da taxa básica de juros este ano para enfrentar a inflação.
Mas este é o último ano completo de Kuroda à frente do Banco do Japão e os investidores estão olhando além da postura de estímulo dele, mirando uma trajetória futura de possível normalização da política monetária.
“O Banco do Japão provavelmente não quis intervir hoje porque isso reforçaria a visão de que está em uma situação completamente diferente do Federal Reserve dos EUA e do BCE, que avançam para um aperto”, disse Hideo Kumano, economista-chefe executivo do instituto de pesquisa Dai-Ichi Life.
Uma ênfase nessa diferença poderia enfraquecer ainda mais o iene em um momento em que empresas e famílias japonesas enfrentam aumento dos custos de energia e dos preços dos importados, acrescentou ele.
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