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BC alerta para riscos fiscais nos ativos e pressiona juros e dólar

Comentários foram recebidos como sinalização de novas altas de juros, pressionando as taxas dos contratos de DI mais curtos

Mercado vê mais alta de juros
08 de Fevereiro, 2022 | 10:52 am
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O Banco Central destacou na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que as incertezas fiscais ampliam os prêmios de risco dos ativos locais e contribuem na desancorarem das expectativas de inflação.

Na visão do BC, os riscos fiscais aumentam as probabilidades de cenários alternativos que considerem taxas neutras mais altas. A autoridade monetária admitiu na ata uma incerteza elevada com preços de importantes ativos e commodites.

Os comentários do Banco Central foram recebidos como sinalização de novas altas de juros, embora sem dimensionar a magnitude dos próximos ajustes, pressionando as taxas dos contratos de DI mais curtos e o câmbio do real.

  • A taxa do DI para janeiro de 2023, que reflete os ajustes na política monetária neste ano, saltou de 11,95% para 12,11%, enquanto a do DI para janeiro de 2024 passou de 11,37% para 11,56%.
  • Já para os vencimentos mais longos o impacto foi menor. A taxa do DI para janeiro de 2027 passou de 11,12% para 11,19%.
  • O dólar acelerou o ritmo de alta para R$ 5,28 - variação de 0,42%.

Na ata, o BC disse ainda que reduzir o esforço das reformas estruturais e no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia. Avaliou que políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda ou piorem a trajetória fiscal podem impactar negativamente preços de ativos importantes e elevar os prêmios de risco do país.

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“As leituras recentes vieram acima do esperado e a surpresa ocorreu tanto nos componentes mais voláteis como, principalmente, nos mais associados à inflação subjacente”, disse.

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Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.