PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Mercados

Apostas em altas de juros derrubam mercado global de títulos

A desvalorização de títulos públicos em todo o mundo está se aprofundando após o pior período de seis meses desde 2016

“O caminho adiante é turbulento com a perspectiva de aumentos de juros, crise energética e a situação geopolítica na Ucrânia”, conforme especialista
Por Garfield Reynolds e James Hirai
07 de Fevereiro, 2022 | 12:15 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — A derrapada global dos títulos de dívida continuou nesta segunda-feira (7), embalada por expectativas de aumentos agressivos de juros em todo o planeta.

Os títulos de dívida da Grécia puxaram o tombo na Europa, após comentários de um integrante do Banco Central Europeu sobre o potencial de uma primeira alta da taxa básica ainda este ano. Na Austrália, os rendimentos dos títulos de curto prazo atingiram o maior nível em quase três anos, acompanhando o movimento de papéis semelhantes do Tesouro dos Estados Unidos na sexta-feira (4). No Japão, especula-se que o banco central pode agir para conter o avanço do rendimento do título de referência de 10 anos, que se aproxima do maior patamar em seis anos.

PUBLICIDADE

A desvalorização de títulos públicos em todo o mundo está se aprofundando após o pior período de seis meses desde 2016, segundo um índice da Bloomberg. Os contratos precificam chance de 40% de o Federal Reserve dos EUA inaugurar o ciclo em março com a maior alta de juros em duas décadas. Na sexta-feira, a divulgação de um relatório mostrando criação de empregos mais forte que o previsto reforçou apostas de que a economia americana sofre ameaça de superaquecimento.

Veja mais: Aumento de empregos nos EUA supera estimativas

O Banco da Inglaterra chegou perto de subir a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual na semana passada, enquanto o BCE também expressou preocupação com a possibilidade de a inflação sair do controle. Em entrevista no domingo, Klaas Knot, integrante do Conselho Geral do BCE, revelou que espera um acréscimo de 0,25 ponto percentual nos juros já no quarto trimestre.

PUBLICIDADE

“O mercado foi atingido por um golpe triplo – Banco da Inglaterra agressivo, BCE agressivo e resultado gigantesco na geração de empregos” nos EUA, disse Andrew Ticehurst, estrategista da Nomura Holdings em Sydney. “O recado é que estamos em um ambiente de desvalorização para os instrumentos de renda fixa dos países do G-10.”

O rendimento da dívida grega com prazo de 10 anos chegou a subir 0,28 ponto percentual para 2,55%, maior nível desde abril de 2020. A dívida grega é a mais suscetível à política monetária porque deixará de se beneficiar do programa de compra de ativos do BCE depois de março, já que não tem grau de investimento.

“O caminho adiante é turbulento com a perspectiva de aumentos de juros, crise energética e a situação geopolítica na Ucrânia”, disse Alexandros Malamas, operador da Piraeus Securities em Atenas, que recomenda esperar a poeira baixar antes de investir em dívida da Grécia.

Veja mais: Ucrânia busca ajuda externa para evitar turbulência econômica

O rendimento da dívida equivalente da Itália — outra grande beneficiária dos estímulos do BCE — subiu 0,12 ponto percentual. Os mercados de curto prazo apostam em um acréscimo de 0,25 ponto na taxa de depósito da União Europeia até setembro e mais outro antes do final do ano.

Os títulos do Tesouro americano tiveram pouca oscilação nesta segunda-feira, com o rendimento do papel de 10 anos subindo 0,01 ponto percentual para 1,92%. O índice de preços ao consumidor dos EUA, que será divulgado na quinta-feira (10), pode causar a próxima grande movimentação nesses mercados. Economistas projetam que a inflação em 12 meses se acelerou para 7,3% em janeiro.

PUBLICIDADE

“Mesmo suspeitando que as apostas para o início do ciclo (como aumentos de 0,50 ponto percentual) sejam exageradas, a trajetória ampla dos dados macroeconômicos e da sinalização das autoridades monetárias sugerem risco de superação das nossas previsões para os rendimentos” dos títulos, afirmaram estrategistas do Goldman Sachs Group, incluindo Praveen Korapaty.

Veja mais em bloomberg.com

PUBLICIDADE