Mercados

Volume de dívida global com rendimento negativo desaba

Montante global em títulos de dívida com rendimento abaixo de zero encolheu para o menor nível em mais de três anos

Volume de dívida é quase 60% menor do que o pico atingido no final de 2020
Por Alice Gledhill e James Hirai
03 de Fevereiro, 2022 | 09:44 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O montante global em títulos de dívida com rendimento abaixo de zero encolheu para o menor nível em mais de três anos. A perspectiva de aumentos iminentes nas taxas básicas de juros desencadeou um movimento de venda de títulos.

Em todo o mundo, a quantia em títulos de rendimento negativo diminuiu para US$ 7,67 trilhões, a menor desde 2018, de acordo com um índice Bloomberg. Esse volume é quase 60% menor do que o pico atingido no final de 2020, quando os bancos centrais deram os primeiros passos para reduzir os estímulos extraordinários que sustentaram os mercados de renda fixa e derrubaram os rendimentos durante a pandemia.

Embora a correção recente tenha causado perdas dolorosas nas carteiras de renda fixa neste ano, rendimentos mais positivos também devem proporcionar alívio a investidores que foram forçados a assumir mais riscos em busca de retorno. Alguns gestores de carteiras — incluindo bancos centrais — só podem comprar títulos de rendimento positivo.

“Zero ainda pode estar longe, mas com os grandes bancos centrais caminhando para uma configuração diferente de política monetária, há muito mais potencial para queda”, disse Jan von Gerich, estrategista-chefe do Nordea Bank Abp.

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A tendência de rendimentos abaixo de zero tem sido mais prevalente na Europa, responsável por mais da metade do volume de instrumentos de rendimento negativo no planeta. No entanto, esse montante caiu pela metade desde setembro, com apostas de que a inflação persistentemente alta levará o Banco Central Europeu a subir a taxa básica de juros ainda neste ano. O BCE e o Banco da Inglaterra anunciarão decisões sobre juros nesta quinta-feira.

Mudança radical

Os rendimentos recuam à medida que os investidores migraram para aplicações mais seguras após uma temporada de balanços decepcionantes no setor de tecnologia. Enquanto isso, uma mudança radical ocorre nos mercados de títulos.

O custo de captação medido pela dívida pública da Alemanha com prazo de 10 anos passou de 0% pela primeira vez em três anos na semana passada. Ainda há muitos instrumentos de prazos mais curtos com rendimento negativo, mas as taxas de cinco anos para Irlanda e França ficaram positivas nesta semana e as de Portugal vão na mesma direção.

Os rendimentos aumentaram mesmo no Japão, em meio a especulações de que o banco central repensará a flexibilização monetária. Embora o comandante da instituição, Haruhiko Kuroda, tenha demonstrado repetida oposição a essa ideia, os contratos overnight de swap indexados de dois anos passaram de zero pela primeira vez desde que o Banco do Japão adotou a abordagem de juros negativos em 2016. Além disso, o rendimento do papel de referência de 10 anos chegou perto do limite superior do intervalo almejado pelo banco central.

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Mas com a disparada da inflação, o rendimento real disponível para os investidores permanece em território negativo em diversas regiões. Nos EUA, o rendimento do título do Tesouro de 10 anos corrigido pela inflação está ao redor de -0,7%. O instrumento equivalente da Alemanha oferece cerca de -1,9%.

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