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Mercados

Apple tem recorde de vendas e sinaliza que contornou crise de oferta

Os resultados surpreendentemente fortes sugerem que os temores de uma reviravolta na oferta foram exagerados

Gigante da tecnologia navegou pela crise e se beneficiou de uma enxurrada de novos produtos, incluindo o iPhone 13, Apple Watch Series 7 e Macs atualizados
Por Mark Gurman
27 de Janeiro, 2022 | 07:19 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — A Apple (AAPL) registrou recorde de vendas trimestrais, que ultrapassaram as estimativas de Wall Street, um sinal de que foi capaz de lidar com uma crise na cadeia de suprimentos alimentada pela pandemia e pela escassez de chips.

As vendas subiram 11% para US$ 123,9 bilhões no primeiro trimestre fiscal, encerrado em 25 de dezembro, informou a empresa nesta quinta-feira (27). Analistas previam US$ 119,1 bilhões em média. O lucro também superou as projeções.

Os resultados surpreendentemente fortes sugerem que os temores de uma reviravolta na oferta foram exagerados. O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, havia alertado no final do ano passado que a escassez poderia custar à empresa mais de US$ 6 bilhões em vendas durante o importante período de férias. Mas a gigante da tecnologia navegou pela crise e se beneficiou de uma enxurrada de novos produtos, incluindo o iPhone 13, Apple Watch Series 7 e Macs atualizados.

As ações subiam 3,5% no pós-mercado. Antes da divulgação do balanço, elas acumulavam queda de 10% este ano, prejudicadas por uma desaceleração mais ampla nas ações de tecnologia. A ação ganhou 34% em 2021.

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O lucro subiu para US$ 2,10 por ação, em comparação com os US$ 1,90 estimados por analistas. A empresa com sede em Cupertino, Califórnia, não forneceu guidance para o período atual, seu segundo trimestre fiscal, uma abordagem que é usada durante a imprevisível era da covid-19.

Veja mais: Robinhood decepciona com receita fraca e ações desabam até 15%

Os investidores estão procurando a Apple em busca de segurança depois que uma derrota recente atingiu as ações de tecnologia. Preocupações com uma desaceleração nas vendas e aumentos nas taxas de juros tornaram o setor menos atraente no mês passado, com a própria Apple sofrendo com o recuo. Depois de atingir um valor de mercado de US$ 3 trilhões no início de janeiro, a Apple agora vale US$ 2,6 trilhões.

A empresa gerou US$ 71,6 bilhões em receita com seu principal produto, o iPhone, superando as estimativas de Wall Street de US$ 67,7 bilhões. Isso representa um aumento de 9,2% em relação ao trimestre do ano anterior. O período de vendas representou o primeiro trimestre completo da receita do iPhone 13.

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O telefone foi colocado à venda em setembro, várias semanas antes do iPhone 12 em 2020. Embora o iPhone 13 tenha sido considerado uma atualização modesta, os usuários que desejam atualizar para o serviço 5G ainda clamam pelo dispositivo.

“A oferta e a demanda estavam em grande parte equilibradas no final do trimestre, e os embarques da China estavam fortes”, disse Toni Sacconaghi, analista da Bernstein, em nota antes da divulgação dos resultados.

As restrições de fornecimento que atingem a linha iPhone 13 e outros novos produtos, incluindo os mais recentes Macs e Apple Watches, resultaram em atrasos de várias semanas nas remessas. No balanço anterior da Apple, a empresa disse que os problemas custaram US$ 6 bilhões em vendas – e alertou que o trimestre de festas seria ainda pior.

Nesse contexto, os resultados foram um alívio para os investidores. Mas nem tudo foi cor de rosa: as vendas do iPad ficaram abaixo do projetado. A empresa havia dito após o trimestre anterior que os problemas de fornecimento estavam afetando particularmente o produto. O Japão também foi um ponto fraco no último trimestre.

O iPad arrecadou US$ 7,25 bilhões no primeiro trimestre, em comparação com uma estimativa de US$ 8,1 bilhões. A empresa lançou a atualização mais significativa do iPad mini na história do produto e uma pequena atualização para seu tablet mais barato durante o trimestre, mas lutou para obter suprimento suficiente para o mercado.

A Apple gerou US$ 19,5 bilhões em receita de serviços no primeiro trimestre, superando as expectativas de Wall Street de US$ 18,6 bilhões. A categoria cresceu 24% em relação ao ano anterior devido às fortes vendas de assinaturas da App Store, Apple Music e iCloud. A Apple disse no início deste mês que os desenvolvedores geraram cerca de US$ 60 bilhões da App Store em 2021, mas não compartilhou receita específica da App Store para a empresa.

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A divisão de wearables, casa e acessórios – uma unidade que inclui o Apple Watch, Apple TV, AirPods, fones de ouvido Beats, HomePod e outros itens – produziu US$ 14,7 bilhões durante o trimestre. Isso representa um aumento de 13% em relação ao ano anterior e acima da estimativa média de US$ 14,2 bilhões. A categoria recebeu um impulso com os novos fones de ouvido AirPods lançados perto do final de 2021, depois de não receber uma atualização semelhante em 2020. O Apple Watch Series 7, no entanto, enfrentou um atraso no lançamento e uma escassez significativa.

A empresa também divulgou cerca de US$ 10,9 bilhões em vendas de Mac, superando a estimativa de US$ 9,5 bilhões. Isso subiu 25% em relação ao mesmo período do ano passado. A Apple lançou um novo MacBook Pro durante o trimestre que foi bem recebido pelos consumidores e especialistas.

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