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Mercados

Wall Street tenta prever de onde sairá liquidez do sistema

Estrategistas querem saber quais partes do sistema financeiro vão sofrer o maior enxágue com fim dos estímulos do Fed

Dentro do Fed, também parece difícil chegar a uma resposta, já que esta depende da reação de diversos agentes do mercado às decisões do banco central
Por Alex Harris e Sydney Maki
26 de Janeiro, 2022 | 12:47 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os analistas de Wall Street vêm tentando descobrir quando o banco central dos EUA pode começar a encolher o balanço patrimonial. Agora, também tentam entender exatamente quais partes do sistema financeiro sofrerão o maior enxugamento de liquidez quando o Federal Reserve reverter o estímulo injetado durante a pandemia.

A questão pode determinar a duração do chamado aperto quantitativo e o tamanho do abalo que causará nos mercados. Se e quando o Fed começar a encolher o balanço patrimonial — ao não substituir títulos vencidos ou de fato vender ativos — haverá um aumento na quantidade de títulos do Tesouro em busca de investidor. A maioria dos papéis provavelmente será adquirida por bancos e fundos de curto prazo, que, para efetuar as compras precisarão reduzir o montante posicionado de diferentes maneiras junto ao Fed.

Se forem principalmente os bancos, o movimento pode resultar em redução significativa das reservas mantidas junto à autoridade monetária. Por outro lado, se os fundos de curto prazo se sobressaírem, haverá queda nas quantias destinadas a contratos overnight de recompra oferecidos pelo Fed.

Provavelmente será uma combinação dos dois, mas saber o segmento de maior peso será importante e os analistas estão de olho.

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Dentro do Fed, também parece difícil chegar a uma resposta, já que esta depende da reação de diversos agentes do mercado às decisões do banco central.

Uma grande mudança nas reservas bancárias seria potencialmente o movimento mais problemático e pode reduzir a duração do aperto quantitativo, além de determinar o tamanho final do balanço do Fed. Se o impacto maior recair sobre os bancos, existe risco de repetição de alguns dos problemas nas reservas que ocorreram no final de 2019, com a última rodada de aperto quantitativo, alertou Priya Misra, estrategista-chefe de juros da TD Securities em Nova York.

Naquela época, a queda nas reservas para abaixo do nível de conforto do sistema contribuiu para um salto nos juros dos acordos de recompra, que são fundamentais para os mercados de financiamento de curto prazo.

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Desde então, o Fed implementou ferramentas adicionais para reduzir potenciais problemas nessa esfera, mas ainda assim, uma diminuição das reservas pode criar riscos e afetar até que ponto o banco central consegue encolher seu balanço.

Se os depósitos bancários caírem mais rápido do que o esperado, pode haver descasamento nas carteiras de títulos das instituições financeiras, desencadeando um movimento mais amplo de redução de riscos. Neste contexto, as instituições financeiras podem ser forçadas a vender títulos ao mesmo tempo em que o Fed se afasta do mercado.

O saldo da linha de recompra reversa overnight do Fed (conhecida pela sigla em inglês RRP) está ao redor de US$ 1,6 trilhão. Sua redução provavelmente seria mais benigna e o processo de diminuição pode durar algum tempo, segundo Misra.

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