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Green

Europeus têm pressa em reduzir o consumo de energia em suas casas

As contas de energia estão subindo em todo o continente, com as famílias pagando em média 54% a mais do que pagavam há dois anos

Cada vez mais pessoas optam por tornar suas casas mais “verdes”
Por Todd Gillespie e William Wilkes
18 de Janeiro, 2022 | 06:25 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — As famílias em toda a Europa estão tomando medidas para reduzir o uso de energia com a preocupação de que as restrições sem precedentes na oferta manterá os preços altos muito além do inverno.

As contas de energia estão subindo em todo o continente, com as famílias pagando em média 54% a mais do que pagavam há dois anos, segundo dados do Bank of America. Esse aumento de custo está impulsionando a demanda por painéis solares e isolamento extra nas residências, na tentativa de diminuir o peso da conta nos bolsos das famílias.

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A energia solar em telhados “vai crescer significativamente em toda a Europa”, disse Vegard Wiik Vollset, chefe de energias renováveis da EMEA na organização de pesquisas independentes Rystad Energy. “O potencial de reduzir a conta de energia com esse tipo de instalação agora é muito mais atraente” em meio a preços mais altos.

A França viu a maior expansão em energia solar em telhados da Europa no ano passado, com quase quatro vezes mais novas instalações, segundo a Rystad. A Alemanha foi a primeira em volume, somando mais de 1.600 megawatts de capacidade. O crescimento em ambos os países se baseia em uma tendência atual, com cada vez mais moradores optando por tornar suas casas mais “verdes” nos últimos anos.

Os consumidores estão com pressa para conter o aumento nas contas, pois as restrições de oferta e a transição para as energias renováveis prometem manter o mercado volátil. As famílias, que constituem cerca de um quarto do uso de energia da União Europeia, estão sentindo o impacto dos custos do gás no atacado, que são quatro vezes maiores do que há um ano.

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Alguns receberam apoio do Estado. Com a ajuda de fundos da União Europeia, os governos italiano e espanhol prometeram 12 bilhões de euros (US$ 13,7 bilhões) e 3,4 bilhões de euros, respectivamente, para melhorar a eficiência energética nas residências até 2026, segundo dados do think tank Bruegel. A Alemanha e a França prometeram pacotes multibilionários até 2023.

A Europa também está atraindo investimentos privados para essas soluções, com empresas expandindo as ofertas de painéis solares, baterias domésticas e medidores inteligentes.

“As pessoas estão fazendo isso porque economizam muito dinheiro”, disse Alex Mezler, CEO da fornecedora solar alemã Zolar GmbH, cujas vendas dobraram no ano passado. Um sistema típico de telhado - com bateria de armazenamento e complementos, incluindo carregamento de carro - proporciona aos clientes um lucro de cerca de 27.000 euros se for operado por cerca de 25 anos, disse Mezler em entrevista.

A aceitação de tais tecnologias varia muito em todo o continente. No Reino Unido, cujo parque habitacional é mais antigo que o de qualquer país da UE, melhorar o isolamento é um grande desafio. As casas perdem calor mais rapidamente do que em qualquer outro lugar da Europa Ocidental. No entanto, uma pesquisa no final do ano passado mostrou que menos de um quinto dos britânicos estavam considerando melhorias na eficiência energética doméstica. Entre aqueles que não contemplam mudanças, mais de um quarto disse que custam muito.

Para as famílias europeias que têm dinheiro ou incentivos para fazer modificações, o impacto nas contas pode ocorrer rapidamente. Mas pode levar anos para que essas ações se tornem suficientemente difundidas a ponto de reduzir significativamente a demanda nacional de energia.

“Medidas residenciais de eficiência energética levam tempo para trazer resultados em escala, então não podemos esperar que elas nos ajudem a reduzir a demanda de energia doméstica no próximo inverno” em nível nacional, disse Simone Tagliapietra, pesquisadora sênior da Bruegel. “Além dessas medidas mais estruturais e de longo prazo, na verdade há muito pouco que pode ser feito no curto prazo.”

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– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

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