Saúde

Ômicron é menos grave mesmo para não vacinados, diz estudo

Dados da África do Sul, primeiro país a ter um surto causado pela variante, mostram taxas menores de hospitalização e mortalidade

Durante a onda impulsionada pela ômicron, 8% das pessoas foram hospitalizadas ou morreram dentro de 14 dias, em comparação com 16,5% nas três ondas anteriores
Por Antony Sguazzin
15 de Janeiro, 2022 | 09:07 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A variante ômicron do coronavírus causa uma doença menos grave do que a cepa delta, mesmo em pessoas que não foram vacinadas ou que não foram infectadas pela Covid-19 anteriormente, mostra estudo da província do Cabo Ocidental, na África do Sul.

A pesquisa na região que tem a Cidade do Cabo como capital comparou 11.609 pacientes das três primeiras ondas de infecção, sendo a mais recente causada pela variante delta, com 5.144 pacientes da última onda marcada pelo contágio pela ômicron.

Os resultados se somam a evidências crescentes de que, embora mais infecciosa, a ômicron pode ser menos virulenta do que outras cepas. Dados da África do Sul, o primeiro país a ter um grande surto causado pela variante, até agora mostram taxas menores de hospitalização e mortalidade.

Ainda assim, com mais de um quarto da população vacinada e uma taxa de infecção anterior de 70% a 80%, existe a preocupação de que isso possa estar mascarando o perigo apresentado pela variante.

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Variante menos mortal

O estudo, que foi divulgado esta semana e ainda não foi revisado por pares, focou nos hospitais públicos da província. Foi liderado por Mary Ann-Davies, professora associada da Universidade da Cidade do Cabo.

Veja mais: Milhões de doses de vacina de covid correm risco de irem para o lixo

Durante a onda impulsionada pela ômicron, 8% das pessoas foram hospitalizadas ou morreram dentro de 14 dias, em comparação com 16,5% nas três ondas anteriores, segundo a pesquisa.

“Após o ajuste para idade, gênero, comorbidades e subdistrito, houve um risco substancialmente reduzido de morte na quarta onda em comparação com a terceira onda”, disseram os pesquisadores. “A proporção da redução foi atenuada ao considerar a imunização e infecções previamente diagnosticadas”.

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Ainda assim, mesmo quando infecções anteriores foram consideradas, houve um risco 25% menor de óbito na quarta onda do que na terceira onda, segundo eles. No entanto, após ajustes considerando imunizações ou infecções anteriores, a ômicron apresentou um risco semelhante à versão do vírus identificada pela primeira vez em Wuhan, na China.

Em dados separados, divulgados pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul nesta sexta-feira, a pesquisadora Waasila Jassat disse que as mortes por Covid-19 na África do Sul atingiram um pico de 14% a 15% da taxa observada na onda da delta. As internações hospitalares atingiram cerca de 60% da onda delta, disse ela em evento online.

Os pesquisadores alertaram que, dada a natureza infecciosa da ômicron, os sistemas públicos de saúde ainda precisam se planejar cuidadosamente para surtos devido ao potencial aumento de pacientes.

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