Mercados

Fed aumentará mais os juros se necessário para conter preços: Powell

Tanto republicanos quanto democratas expressaram preocupação de que o Fed esteja superestimulando a economia

Presidente americano Joe Biden nomeou Powell para um segundo mandato à frente do Fed
Por Craig Torres
11 de Janeiro, 2022 | 01:24 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o banco central não hesitará em agir, se necessário, para conter a inflação e ajudar a garantir o pleno emprego, embora se espere que o descompasso entre oferta e demanda que elevou os preços diminua.

“Se tivermos que aumentar mais as taxas de juros ao longo do tempo, nós o faremos”, disse Powell nesta terça-feira (1) em resposta a uma pergunta em sua audiência de confirmação no Comitê Bancário do Senado. “Usaremos nossas ferramentas para recuperar a inflação.”

Tanto republicanos quanto democratas expressaram preocupação de que o Fed esteja superestimulando a economia com baixas taxas e compras de títulos, já que a inflação está muito acima da meta de 2% das autoridades. Membros do Fed ficaram surpresos com a persistência da inflação e querem se apoiar nela este ano sem parar o crescimento.

Os preços subiram 5,7% nos 12 meses encerrados em novembro, medidos pelo índice de preços de gastos com consumo pessoal, a referência preferida do Fed.

PUBLICIDADE

Embora enfatize que o Fed não prioriza seu mandato no Congresso para a estabilidade de preços mais do que a meta de pleno emprego, ele disse que a ênfase pode mudar e no momento havia mais foco na inflação.

Veja mais: Powell: Atenção é maior com a inflação do que com meta de emprego

‘Ameaça Grave’

“Para obter o tipo de mercado de trabalho muito forte que queremos com alta participação, será necessária uma longa expansão”, disse ele. “Para obter uma longa expansão, precisaremos de estabilidade de preços. E assim, de certa forma, a inflação alta é uma grave ameaça à obtenção do emprego máximo”.

Os investidores estão apostando que o Fed começará a aumentar sua taxa de referência de fundos federais em março, dois anos após cortá-la para quase zero no início da pandemia em março de 2020. Relatório do Departamento do Trabalho na sexta-feira, o Payroll, mostrou que a taxa de desemprego nos EUA caiu para 3,9% em dezembro - aproximando-se da mínima pré-pandemia de 3,5%.

PUBLICIDADE

Autoridades do Fed disseram em dezembro que acelerariam o fim de seu programa de compra de ativos e previam que aumentariam as taxas de juros três vezes este ano. Empresas de Wall Street, como o Goldman Sachs Group, estão prevendo até quatro aumentos.

Powell, questionado sobre os planos de encolher o balanço de US$ 8,77 trilhões do Fed, disse que em algum momento deste ano ele e seus colegas permitirão que o balanço se esgote. Suas observações seguem comentários de outros membros do Fed que favorecem o início da redução do balanço patrimonial logo após o banco central começar a aumentar as taxas.

O presidente Joe Biden nomeou Powell para um segundo mandato como presidente e escolheu a governadora do Fed Lael Brainard para servir como vice-presidente. Biden também deve nomear em breve três novos governadores para preencher as vagas restantes. A audiência de confirmação de Brainard está marcada para quinta-feira (13).

Veja mais em Bloomberg.com

PUBLICIDADE