PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Brasil

Carta do BC: Alta de juro ajudará a controlar expectativa de inflação

Em carta para explicar o estouro da meta da inflação em 2021, Roberto Campos Neto culpou câmbio, combustíveis e energia

Tempo de leitura: 3 minutos

Na carta em que se justificou pela inflação de 2021 ter estourado a meta, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou que o ciclo de alta de juros é necessário para recuperar o controle não só sobre a inflação, mas também sobre a expectativa dos agentes econômicos de que o país é capaz de manter a trajetória dos preços dentro da meta.

“O Copom [Comitê de Política Monetária] considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, escreveu o presidente do BC.

PUBLICIDADE

“De acordo com o comunicado e a ata da reunião de dezembro de 2021 (243ª reunião), para sua próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”.

Veja mais: Ibovespa avança com exterior e susto com inflação fica de lado

Em novembro, o Copom havia reajustado a Selic em 1,5 ponto percentual, de 7,75% ao ano para 9,25% ao ano.

PUBLICIDADE

POR QUE ISSO É IMPORTANTE: Nesta terça-feira (11), o IBGE informou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2021 em 10,06%. A meta de inflação era 3,75% no ano passado, com tolerância de 1,5 ponto percentual, para cima (5,25%) ou para baixo (2,25%).

O sistema de metas para a inflação existe no Brasil desde 1999. O decreto que instituiu este modelo estabelece que, caso a inflação fique fora do intervalo de tolerância da meta em determinado ano, o presidente do BC precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões do não cumprimento.

A última vez em que isso ocorreu foi em 2018, quando Ilan Goldfajn, ainda na gestão Temer, teve de explicar por que a meta do ano anterior não fora cumprida. Era uma situação diferente de agora: em 2017, o IPCA fechou em 2,95%, abaixo da margem inferior de tolerância (3%).

PUBLICIDADE

CONTEXTO POLÍTICO: Campos Neto tem sido criticado por agentes do mercado e também por integrantes do governo.

Em outubro, o ministro Paulo Guedes (Economia) demonstrou irritação com o Banco Central ao responder uma pergunta sobre a alta da inflação: “O Banco Central tem que ficar de olho na inflação, sim. Quem cuida de inflação é Banco Central. E não pode ficar atrás da curva, não. Tem que correr, tem que mostrar serviço. Ele é independente para isso. Se a inflação está subindo, ele tem que correr um pouco mais rápido”, disse Paulo Guedes.

Veja mais: Guedes: ‘Banco Central não pode ficar atrás da curva’

PUBLICIDADE

A crítica de uma suposta demora do BC para subir juros não foi incorporada por Campos Neto à carta em que apresentou as justificativas para a inflação ter fechado o ano acima de 10%.

CÂMBIO, COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA: Na carta de hoje, Campos Neto elenca os motivos da alta da inflação acima da meta: 1) elevação dos preços de bens transacionáveis em moeda local, em especial os preços de commodities; 2) bandeira de energia elétrica de escassez hídrica; 3) desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos, e gargalos nas cadeias produtivas globais.

Combustíveis e energia foram os itens que mais contribuíram para o estouro da meta, segundo o presidente do Banco Central.

PUBLICIDADE

Ele escreveu: “Os preços de gasolina, gás de bujão e energia elétrica residencial subiram 47,49%, 36,99% e 21,21% (contribuições de 2,33 p.p., 0,41 p.p. e 0,98 p.p.), respectivamente. O preço do etanol subiu 62,24%, acima dos demais combustíveis, refletindo também a quebra na safra de cana-de-açúcar.”

E prosseguiu: “Os preços de bens industriais e de alimentação no domicílio subiram 12,00% e 8,23% (contribuições de 2,75 p.p. e 1,25 p.p.), respectivamente, bastante afetados pelos preços de commodities e gargalos nas cadeias produtivas globais. Os preços de serviços aumentaram 4,75% (contribuição de 1,72 p.p.)”.

Leia também:

Como funciona o ajuste fiscal que Ronaldo está fazendo no Cruzeiro

Este é o raio-X do fundo imobiliário da Caixa que derreteu 25%

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

PUBLICIDADE