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Internacional

Djokovic fica um passo mais próximo do Aberto da Austrália

Após ficar detido em hotel, tenista recebe aprovação para entrada no país e poderá disputar torneio

Tenista sérvio ficou detido nos últimos dias após ter visto cancelado
Por Ros Krasny e Sybilla Gross
10 de Janeiro, 2022 | 10:26 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — Novak Djokovic pode ficar na Austrália e concorrer a sua 21ª vitória no Grand Slam depois que um tribunal anulou o cancelamento de seu visto e ordenou a liberação imediata do atleta.

O juiz Anthony Kelly afirmou que o tenista número um do mundo não teve tempo suficiente para reagir após ser notificado, na quinta-feira (6) sobre a comprovação insuficiente para entrar no país segundo as normas para covid. Na tarde desta segunda-feira (10), horário local, foi anunciada em audiência virtual a decisão de que o governo deveria pagar pelos custos do atleta e liberá-lo.

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“Se o requerente tivesse mais tempo, poderia ter consultado outras pessoas e apresentado documentos ao delegado para argumentar por que seu visto não deveria ser cancelado”, disse o juiz, dizendo que as circunstâncias eram “irracionais”.

O conselho do governo informou que o ministro da Imigração, Alex Hawke, ainda poderia exercer separadamente seu poder pessoal para avançar com o cancelamento do visto, apesar da decisão. Anteriormente, o conselho havia alertado sobre esse possível resultado.

Djokovic está detido em um hotel em Melbourne para refugiados desde quinta-feira (6), depois que as autoridades de fronteira revogaram sua isenção de vacina do estado de Victoria que lhe permitia jogar o torneio Aberto da Austrália.

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Manifestação foi em prol do tenistadfd

A notícia da isenção gerou polêmica no país em que mais de 90% dos adultos estão totalmente vacinados e que enfrentou algumas das restrições mais rigorosas do mundo durante a pandemia. O primeiro ministro Scott Morrison apoiou a oferta subsequente de deportar o jogador após sua chegada à Austrália, destacando a incompatibilidade de política e comunicação entre funcionários federais e estaduais que tem sido uma marca da jornada da Austrália no combate à covid-19.

A maioria dos estrangeiros ainda não pode entrar no país, salvo se apresentarem uma isenção para viagens e estejam totalmente vacinados. Os advogados de Djokovic argumentaram no sábado (8) que ele obteve uma isenção válida após um teste positivo da Covid em 16 de dezembro, mas o governo federal rejeitou essa posição. Este argumentou que os organizadores do torneio foram informados de que uma infecção recente não permitiria que alguém evadisse a exigência de vacinação da Austrália e recebesse um visto de entrada.

Veja mais: Austrália afirma que Djokovic pode ser detido novamente se vencer caso

Os australianos que não receberam pelo menos duas doses da vacina estão proibidos de entrar na maioria dos locais fechados no estado de Victoria, em uma tentativa de conter a disseminação da variante ômicron e aliviar a pressão sobre os hospitais. O país relatou mais de 100 mil novos casos de covid-19 pela primeira vez em um único dia no sábado, e os casos mais que dobraram em Victoria, chegando a 51.356.

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Djokovic já havia vencido o Aberto da Austrália nove vezes, e sua vitória o tiraria do empate com os rivais de longa data Roger Federer e Rafael Nadal. O torneio começa em 17 de janeiro.

O jogador chegou à Austrália na noite de quarta-feira (5), horário local, e foi interrogado no aeroporto de Melbourne por horas antes que os oficiais da Força de Fronteira decidissem cancelar seu visto. A confusão e a frustração do jogador durante as entrevistas ficaram evidentes em transcrição divulgada logo após a decisão judicial da segunda.

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“Estou realmente surpreso por estar nessa situação, porque como eu poderia vir para a Austrália se não tivesse esses documentos oficiais?”, disse Djokovic na transcrição. “Se puder, esperamos até a manhã e posso ligar para a Tennis Australia e então podemos tentar resolver isso. Agora todos estão dormindo”.

Em um documento de 35 páginas divulgado no sábado, seus advogados disseram que o número 1 do mundo recebeu um documento do Departamento de Assuntos Internos da Austrália em 1º de janeiro afirmando que a isenção permitiria que ele entrasse no país.

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“O sr. Djokovic entendeu que tinha o direito de entrar na Austrália e em Victoria e competir no Aberto de Tênis da Austrália”, escreveram os advogados.

Em sua resposta, o ministério australiano rejeitou a “chamada ‘isenção médica’” de Djokovic e disse que “não há garantia de entrada de um não cidadão na Austrália”.

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A veterana tcheca Renata Voracova deixou a Austrália na noite de sábado, informou a Australian Broadcasting Corp. A atleta havia competido em um torneio classificatório na semana passada. Seu visto foi cancelado pela Força de Fronteira Australiana depois que ela entrou no país com o mesmo tipo de isenção de vacina reivindicada por Djokovic, disse a emissora. Outro dirigente não identificado também deixou o país, afirmou a ABC.

Djokovic, de 34 anos, disse em 2020 ser pessoalmente contra as vacinas, mas depois esclareceu que não era um especialista e que tomaria a decisão certa para ele.

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“Eu não gostaria de ser forçado a tomar uma vacina para poder viajar”, disse Djokovic em 2020, meses antes de as primeiras vacinas contra o coronavírus estarem disponíveis.

--Esta notícia foi traduzida por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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