Saúde

Mais de 3.200 escolas fecham com avanço de ômicron nos EUA

Novas infecções afastam professores e funcionários das unidades escolares em todo o país

Mais escolas decidem adotar ensino remoto com avanço da ômicron
Por Nic Querolo
04 de Janeiro, 2022 | 09:23 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — O fechamento de escolas está acelerando nos EUA conforme as novas infecções por ômicron afastam os professores do trabalho e geram escassez de pessoal.

A velocidade dessa onda de covid-19 levou grandes distritos como Atlanta, Detroit e Prince George’s County, em Maryland, a retomar o ensino remoto apenas alguns dias após o Ano Novo, deixando os pais com pouco tempo para reorganizar os horários.

Nacionalmente, o número de fechamentos de escolas triplicou desde 19 de dezembro, conforme o percentual de testes positivos disparau. Pelo menos 3.229 escolas foram fechadas na primeira semana de janeiro, o maior ritmo nas últimas semanas, mas ainda abaixo dos picos alcançados durante a onda de inverno do ano anterior, de acordo com a Burbio, que acompanha os fechamentos.

“Os distritos estão tentando abrir”, disse Dennis Roche, cofundador da Burbio. “A principal variável é que em algumas partes dos EUA, onde as taxas da covid estão na faixa de mais de 20%, você terá escassez de pessoal”.

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Surto de fechamentos

O aumento dos fechamentos de escolas deixa as autoridades estaduais e municipais com receio de repetir o que aconteceu no ano passado. “As crianças precisam estar na escola”, disse o governador de Maryland, Larry Hogan, na terça-feira. O estado tem alguns surtos nas escolas, mas os níveis de transmissão são mais altos na comunidade, disse ele.

“Não achamos que fechar escolas e mandar as crianças para casa para o aprendizado virtual seja o caminho a percorrer”, disse Hogan.

Em Nova Jersey, 32% das escolas mudaram para o ensino virtual desde 4 de janeiro, de acordo com um porta-voz do Departamento de Educação do estado. Entre 1,4 milhão de alunos do ensino fundamental e médio, as infecções mais que dobraram em três semanas, para 11 por 1.000 alunos. Os testes positivos da equipe quadruplicaram, para 24 por 1.000, de acordo com dados estaduais.

Ficar Aberto

Ainda assim, o governador Phil Murphy disse que os surtos nas escolas são menores do que o previsto, o que ele chamou de um sinal de que o uso de máscaras e outras medidas estão funcionando.

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“No momento, não temos intenção ou plano de fechar nossas escolas”, disse Murphy na segunda-feira durante uma coletiva de vírus. “Não temos nenhum desejo de retornar ao aprendizado remoto.” Porém, distritos individuais têm a opção de fechar.

Na área metropolitana de Atlanta, o distrito escolar da cidade, juntamente com os condados de Fulton, DeKalb, Clayton e Rockdale começaram as atividades no ano novo de forma virtual devido a infecções entre alunos e funcionários. A maioria dos distritos planeja voltar às aulas presenciais na próxima semana.

Dois outros grandes distritos suburbanos de Atlanta planejaram retomar as aulas no final desta semana. As escolas do Condado de Cobb serão abertas na quarta-feira e as escolas do Condado de Gwinnett - o maior distrito da Geórgia - retomarão as aulas na quinta.

As escolas públicas em Washington, D.C., estão programadas para reabrir nesta quinta-feira. Todos os alunos e funcionários devem apresentar prova de um resultado negativo no teste de covid-19 antes de retornar. Testes administrados antes de terça-feira não serão aceitos.

Os alunos e funcionários de Baltimore também estão retornando às escolas públicas esta semana, mas o distrito estendeu as férias de inverno até quarta-feira para permitir os testes. As escolas retomarão os testes coletivos semanais nas escolas e os testes PCR individuais em todas as escolas de ensino médio e secundárias quando as escolas reabrirem na quinta-feira.

Os alunos em Boston, por sua vez, voltaram às aulas na terça-feira com mais de 1.000 professores e funcionários com covid, disse a superintendente Brenda Cassellius à WCVB-TV. O sindicato dos professores pediu protocolos de teste mais efetivos.

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Na terça-feira, o CEO das Escolas Públicas de Chicago, Pedro Martinez, disse que as aulas serão canceladas na quarta-feira se o sindicato dos professores votar para trabalhar remotamente contra a vontade do distrito. O Chicago Teachers Union, que está pedindo mais medidas de mitigação para evitar a disseminação da covid-19, planeja votar pelo ensino remoto na terça-feira. Chicago é o terceiro maior distrito escolar público dos EUA, com 330.000 alunos.

Nas escolas da cidade de Nova York, o maior distrito do país, um terço do 1 milhão de alunos do sistema não apareceu no primeiro dia de aula, com a cidade relatando uma taxa de frequência de 67% em 3 de janeiro. A média diária de frequência este ano é cerca de 88%.

Os funcionários do Departamento de Educação da cidade ainda estão tabulando os totais de ausências de funcionários. Os sindicatos solicitaram adoção de aulas remotas e pediram a realização de testes antes das aulas, enquanto alertavam sobre a falta de funcionários devido a professores com teste positivo para covid.

O prefeito Eric Adams tem feito esforços para convencer as famílias de que as escolas são seguras e a cidade até agora não adotou a prova obrigatória de testes negativos. Em uma entrevista à CNN na terça-feira, ele disse que se as recomendações das autoridades de saúde mudarem, ele pode reconsiderar o caso.

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