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Internacional

Rússia enfrenta década perdida após mês mais mortal de pandemia

Covid-19 reduziu a expectativa de vida em mais de três anos, para menos de 70

Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Novembro foi o mês mais mortal da Rússia na pandemia de Covid-19, aprofundando uma crise demográfica que o presidente Vladimir Putin diz ser uma ameaça ao futuro do país.

Houve um recorde de 87.527 mortes associadas ao vírus no mês passado, de acordo com dados divulgados pelo Serviço Federal de Estatísticas na noite de quinta-feira (30). Isso foi um aumento de 16% em relação ao mês anterior e elevou o total de fatalidades ligadas à Covid-19 na Rússia para mais de 625.000 desde o início da pandemia.

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“A expectativa de vida na Rússia regrediu em uma década”, disse Vera Karpova, demógrafa da Universidade Estadual de Moscou, que estima que a Covid-19 tenha reduzido a expectativa de vida em mais de três anos para menos de 70. “A última vez que a expectativa de vida foi de 70 anos foi em 2012.”

A Rússia teve um número recorde de casos no mês passado em meio a uma taxa de vacinação insistentemente baixa, apesar da ampla disponibilidade de uma vacina doméstica gratuita. Isso antes mesmo das autoridades relatarem qualquer presença significativa na Rússia da variante ômicron, muito mais infecciosa, que se espalhou pelos Estados Unidos e pela Europa e levou alguns governos a retomar as medidas sanitárias mais rígidas.

Cerca de 62% dos russos têm imunidade coletiva, seja como resultado de uma vacina ou da recuperação da doença, segundo o centro de relatórios sobre a Covid-19 do governo.

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Putin afirmou na semana passada, em uma coletiva de imprensa de fim de ano, que a queda na expectativa de vida do maior país do mundo era uma ameaça à posição geopolítica da Rússia e sua economia, em meio a uma crescente escassez de mão de obra.

“Mencionei a lamentável diminuição da expectativa de vida e o aumento da mortalidade que estamos observando e, a esse respeito, isso está agravando um de nossos problemas mais graves”, disse Putin. “Do ponto de vista humanístico e geopolítico, uma população de 146 milhões em um país tão grande é completamente inadequada.”

Em novembro, a mortalidade aumentou 17% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou o serviço de notícias Interfax, na noite de quinta-feira (29), citando a vice-primeira-ministra Tatyana Golikova. Nos primeiros 29 dias de dezembro, a mortalidade caiu 19,6% em comparação com o mesmo período do mês passado, com a Covid-19 sendo a principal causa de morte, disse Golikova, citando dados preliminares.

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A Rússia registrou 912 mortes causadas pela Covid-19 no dia anterior, a menor desde o início de outubro, conforme dados do centro de relatórios do governo na sexta-feira (31).

A nação divulga dados completos sobre fatalidades por pandemia com uma defasagem substancial. Os números de novembro foram 2,4 vezes maiores do que os cálculos diários do centro de relatórios sobre a Covid-19.

O número de novas infecções diárias relatadas na Rússia caiu quase pela metade em relação ao seu pico no início de novembro, mesmo com a variante ômicron empurrando a contagem de casos para níveis recordes em países como EUA, Reino Unido e França.

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A cepa ainda não se tornou a dominante na Rússia, disse Anna Popova, chefe do órgão de vigilância de saúde pública do governo, em uma cúpula de líderes da Comunidade dos Estados Independentes, em São Petersburgo, na terça-feira (28).

O excesso de mortes na Rússia aponta para um número maior de mortes por Covid-19 do que os números revisados mostram, segundo Dmitry Kobak, pesquisador da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

“Até o final do ano, haverá bem mais de 1 milhão de vítimas da Covid” desde o início do surto, disse ele. Embora pareça haver significativamente menos mortes em dezembro do que no mês passado, “haverá quase 700.000 em 2021″, disse ele.

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--Com a colaboração de Anya Andrianova e Olga Tanas.

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