Pesos-pesados da UE resistem em impor rápidas sanções à Rússia

Alemanha, França, Itália e Espanha querem focar agora nas conversas com o governo de Moscou antes de detalhar medidas econômicas a serem aplicadas

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Bloomberg — Países de peso na União Europeia resistem em impor rapidamente sanções específicas e outras punições à Rússia em caso de invasão da Ucrânia, mesmo que o Kremlin não dê sinais de recuar as crescentes tropas posicionadas perto de seu vizinho.

Alemanha, França, Itália e Espanha querem focar agora nas conversas com o governo de Moscou antes de detalhar medidas econômicas a serem aplicadas. Mas outros estados membros argumentam que apoiar ameaças de sanções seria a melhor maneira de dissuadir o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de acordo com diplomatas e autoridades que falaram sob anonimato.

As divisões destacam os desafios que Estados Unidos e aliados enfrentam para arquitetar uma resposta coordenada e evitar que a Rússia prepare um ataque. Também refletem o ceticismo de algumas capitais europeias sobre advertências do governo de Washington nas últimas semanas de que a Rússia estaria de fato se preparando para um grande ataque à Ucrânia e não simplesmente usando o aumento de tropas como moeda de troca para ganhar concessões.

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“Queremos ficar neste ‘modo prevenção’, que é o trabalho da diplomacia, de tentar estudar os diferentes cenários para ter uma resposta preparada para cada um deles, e deixar claro que haverá resposta para qualquer um deles caso aconteçam”, disse o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, em discurso a parlamentares em Estrasburgo na terça-feira. Os líderes da UE vão discutir o assunto em Bruxelas durante dois dias de cúpulas e reuniões bilaterais, inclusive com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, na quarta e quinta-feira.

Alerta para Putin

Vários lideranças ocidentais, entre eles o presidente dos EUA, Joe Biden, o líder francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, falaram com Putin nos últimos dias para transmitir a mensagem de que o Ocidente imporia sanções muito mais duras do que as medidas lançadas nos últimos anos, no caso de uma invasão russa. Isso poderia incluir ações para bloquear o acesso de grandes bancos russos ao sistema financeiro ocidental, bem como um possível compromisso da Alemanha de não autorizar a operação do gasoduto Nord Stream 2 da Rússia, de acordo com pessoas a par dos planos.

A Comissão Europeia já tem uma pauta preliminar disponível para discussão, segundo um alto funcionário da UE, mas o documento ainda não foi liberado devido a certas questões, como estados membros que se opõem a alguns pontos. O documento detalha várias opções para uma reação dependendo do que a Rússia fizer, com cenários que incluem um ataque híbrido e guerra cibernética, bem como uma ofensiva militar, disse a autoridade.

Mas a Alemanha acredita que essa abordagem não deixaria nada na manga contra a Rússia no futuro, porque o projeto vazaria, disse a autoridade. Países com visões semelhantes argumentam que a divulgação de um documento com opções daria a Putin a disputa que está buscando, e que qualquer coisa que prejudique a Rússia pode afetar estados membros da UE, devido aos estreitos laços econômicos.

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Eles afirmam que esperar uma ação de Putin antes de reagir com uma resposta concreta e personalizada seria mais eficaz do que colocar várias opções na mesa muito cedo com o risco de algumas não serem usadas, de acordo com altos funcionários da UE. E destacam que não há dúvida de que duras medidas seriam impostas em caso de invasão, mas há um debate sobre quão detalhado o planejamento deve ser antecipado em meio à incerteza sobre as intenções de Putin.

O Kremlin nega ter planos de invadir a Ucrânia, mas acusa o governo de Kiev de sabotar um acordo de paz de 2015 e de planejar uma ação militar contra separatistas apoiados pela Rússia no leste da Ucrânia. O governo ucraniano nega essas acusações.

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