Bloomberg — O Banco Central Europeu avalia se deve ajustar a forma de reinvestimento dos títulos comprados sob o programa emergencial. A ideia é ajudar os países integrantes da zona do euro a superar momentos futuros de turbulência nos mercados, afirmaram funcionários públicos com conhecimento do estudo.
O Conselho de Geral do BCE pode alongar o período de rolagem de títulos próximos ao vencimento e ser mais flexível na alocação geográfica das compras feitas sob o programa conhecido pela sigla PEPP, segundo as fontes.
Essas pessoas, que pediram anonimato para falar sobre discussões confidenciais, adiantaram que nenhuma decisão foi tomada. Um porta-voz do BCE não quis comentar sobre determinações futuras das autoridades.
Essas medidas podem endereçar preocupações de integrantes do Conselho Geral sobre a necessidade de uma ferramenta disponível em tempos de estresse dos mercados, após a pandemia ter exigido a criação do PEPP.
A calibragem do programa pode ser uma das várias decisões diante do Conselho Geral, que avalia o futuro dos estímulos após o término programado das compras emergenciais, em março de 2022. A reunião de 16 de dezembro é vista como momento importante para definir os parâmetros da compra de títulos.
Segundo as regras atuais, as dívidas próximas ao vencimento controladas pelo PEPP devem ser reinvestidas pelo menos até o final de 2023.
Investidores desapontados
Os bônus da Alemanha ampliaram ganhos, enquanto os papéis da Itália avançaram menos diante da decepção com os ajustes potenciais. A diferença nos rendimentos dos títulos públicos de 10 anos da Alemanha e da Itália chegou a 1,37 ponto percentual, quase a maior distância desde novembro de 2020.
“Se os defensores de uma política mais restritiva prevalecerem e a única mudança for uma maior flexibilidade de reinvestimento do PEPP, será como ganhar um brinquedo falsificado no Natal, os mercados ficarão decepcionados”, disse Antoine Bouvet, estrategista do ING Groep.
O que diz a Bloomberg Economics
“Ajustar os reinvestimentos do PEPP pode ajudar nas margens, mas diante dos novos deslocamentos financeiros na Zona do Euro, seria um remédio fraco.”
--Jamie Rush, economista-chefe para Europa.
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