Bloomberg — A variante ômicron da Covid-19 precisaria causar estragos significativos na economia da Zona do Euro para que um dos integrantes do Conselho Geral do Banco Central Europeu apoie a liberação de estímulos adicionais.
É cedo para saber como a nova cepa afetará a recuperação do continente, afirmou Martins Kazaks, que comanda a autoridade monetária da Letônia. A situação atual é que o programa emergencial de compra de títulos (conhecido pela sigla PEPP) de 1,85 trilhão de euros terminará conforme o previsto, em março, disse ele.
“No momento, não sabemos como a variante ômicron vai evoluir”, disse Kazaks em entrevista. “A menos que leve a revisões negativas significativas na perspectiva de crescimento, não vejo uma alteração do prazo em março — que o mercado já espera há algum tempo e já contava em nossa última comunicação.”
O BCE se prepara para uma reunião importante em 16 de dezembro, quando as autoridades devem decidir o futuro de suas ferramentas de estímulo. O debate será centrado no aumento dos riscos da Covid-19 e da inflação, que está no maior nível desde a introdução da moeda única.
Enquanto os cientistas avaliam o tamanho do perigo representado pela ômicron, Kazaks afirma que o BCE tem tempo para alterar sua trajetória no início do próximo ano, se houver justificativa sanitária para isso.
“Se em fevereiro nós percebermos que a situação está crítica, é claro que poderemos mudar nossas opiniões e aí entra a questão da flexibilidade”, disse ele. “A meu ver, é possível reiniciar o PEPP ou aumentar o valor se necessário.”
A outra incerteza envolve o avanço dos preços ao consumidor, que subiram 4,9% nos 12 meses até novembro — mais que o dobro da meta de 2% do BCE.
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