PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Viagens

Perto da Black Friday, Gol tem instabilidade em canais de venda

A exemplo da concorrente Azul no mês passado, companhia aérea enfrenta problemas no atendimento a seus clientes

Serviço telefônico da Gol informa aos clientes que serviços estão sendo restabelecidos; empresa confirma estar realizando manutenções programadas em seu sistema de vendas e atendimento
18 de Novembro, 2021 | 10:52 am
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — A Gol apresenta, nesta quinta-feira (18), instabilidade em seus canais de venda. Seu número telefônico 0300, de atendimento ao cliente, informa que os serviços ainda estão sendo reestabelecidos. Os problemas atingem as companhias aéreas brasileiras neste quarto trimestre, considerado crucial para o desempenho das receitas no contexto de retomada dos voos após o fim das restrições impostas pela pandemia da Covid-19. No mês passado, foi a Azul que enfrentou instabilidade em sistema após pane do call center da Atento devido a um incidente de cibersegurança.

A instabilidade nos canais de venda da Gol acontece no momento em que a companhia tem reforçado promoções de passagens com o mote da Black Friday, que acontece na última sexta-feira de novembro (dia 26). Procurada pela Bloomberg Línea, a Gol informou hoje (18) que tem realizado manutenções programadas em seu sistema de vendas e atendimento que podem gerar instabilidade de acesso a informações. “No momento, a companhia está trabalhando em ajustes finais e em breve voltarão à normalidade”, diz a assessoria de imprensa da empresa.

A companhia aérea acrescentou que “os clientes que enfrentarem eventuais problemas em consultar informações, como créditos de passagens, em nada serão penalizados, e que a instabilidade está apenas no acesso e não no dado em si, que continua válido e armazenado com segurança” em seus servidores. No mês passado, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) divulgou que a Gol liderou o ranking nacional de reclamações dos passageiros no 2º trimestre, a exemplo do que ocorreu no primeiro, seguida pela Latam e Azul.

O ranking é elaborado a partir dos dados do portal Consumidor.gov.br, um serviço público e gratuito que permite a interlocução direta entre consumidores e empresas para solução de conflitos de consumo pela internet. Desde 1º de abril de 2019, todas as empresas brasileiras e estrangeiras de transporte aéreo público regular de passageiros estão obrigadas a estar ativas no site e a responder as reclamações dos usuários dos serviços no prazo estabelecido.

PUBLICIDADE

No último dia 9, a Gol divulgou um prejuízo de R$ 4,4 bilhões em nove meses do ano, sendo R$ 2,5 bilhões só no terceiro trimestre. O setor aéreo, mesmo ensaiando uma recuperação gradual após a reabertura da economia, foi um dos mais castigados pela pandemia da Covid-19.

Gol e Azul brigam pela liderança do mercado brasileiro. Em 12 meses, até setembro, Gol tinha market share de 33,7%, e Azul, 33,6%. Já Latam, que só deve sair do processo de recuperação judicial no ano que vem, aparece com 32,1%. Os dados da Anac consideram a demanda medida por passageiros por quilômetros pagos transportado (RPK, na sigla em inglês).

Novata

Enquanto a disputa entre as três maiores companhias aéreas se acirra, a mais nova empresa do setor, a Itapemirim Transportes Aéreos, começa a ampliar seu espaço. Na última terça-feira (16), a ITA iniciou suas operações regulares no Aeroporto de Congonhas, na região central de São Paulo. Ela irá operar 12 slots diários (seis pousos e seis decolagens). Neste primeiro momento, apenas um voo de ida e volta está disponível para venda. Em breve, a ITA promete voar de Congonhas para Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Porto Seguro (BA).

Não só as companhias aéreas enfrentam problemas de atendimento aos clientes neste trimestre. A CVC, um dos principais grupos de viagens da América Latina, passou 15 dias, no mês passado, com as operações prejudicadas devido a um ataque hacker. Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da companhia, Leonel Andrade, disse que ainda aguarda a conclusão das investigações e confirmou a expectativa de impacto negativo do incidente nas receitas da companhia no resultado financeiro do quarto trimestre.

Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.