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Agro

Indústrias buscam alternativa ao milho para conter escalada dos custos

Empresas colocaram em prática plano de incentivo à produção de trigo, cevada, aveia e outros produtos para substituir pelo menos parte do principal insumo da ração e evitar disparada de preços

Usado principalmente na indústrias de massas e biscoitos, cereal é visto como alternativa ao milho na ração animal
15 de Novembro, 2021 | 03:54 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Indústrias de aves e suínos como BRF, JBS, Aurora, Korin, entre outras, estão em uma empreitada para tentar reduzir a dependência que possuem do milho na composição da ração usada na engorda dos animais. Principal insumo da alimentação das aves, o cereal passou por uma valorização ao longo dos últimos 18 meses que obrigou as empresas a repassar o aumento de custo aos consumidores, gerando impactos importantes na inflação.

Há pouco mais de seis meses, foi colocado em prática um plano de incentivo ao plantio das culturas de inverno no Brasil. A ideia era motivar os produtores, especialmente da região Sul do País, a incrementarem o plantio de aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale, para que os grãos substituíssem pelo menos parte do milho utilizado na ração animal.

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O resultado está sendo colhido, literalmente, agora. Juntas, as seis culturas de inverno plantadas no Brasil vão garantir 9,31 milhão de toneladas, volume 23% maior do que a oferta do ano passado. Na prática, foram adicionadas 1,8 milhão de toneladas à produção deste ano, apenas com as seis culturas

“Em anos em que a safra de verão não tem problemas climáticos, o Brasil já teria um déficit de 7 milhões de toneladas. Neste ano a situação, ficou muito mais crítica porque a safra de milho teve uma quebra enorme e acabou impactando toda a cadeia produtiva de proteína animal”, afirma Francisco Turra, ex-presidente da Associação Brasileira Proteína Animal (ABPA), atual presidente do conselho consultivo da entidade e um dos responsáveis por implementar o projeto.

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Segundo Turra, o efeito do trabalho conjunto da agroindústria, Embrapa e Senar foi tamanho que faltou semente no primeiro ano da campanha. As culturas de inverno ocuparam nesta safra 3,33 milhões de hectares, 410 mil a mais do que na safra de 2020. O montante representou um crescimento de 14% e minimizou a ociosidade de aproximadamente 1 milhão de hectares existente na região Sul, após a colheita da safra de verão.

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“Faltava linkar a agroindústria e foi o que fizemos neste ano”, afirma Turra. Ele lembra que, no passado, já houveram outras tentativas para se aumentar a produção das culturas de inverno para atender a demanda da indústria de ração animal. Contudo, apesar do empenho dos produtores, na época, os compradores não apareceram.

Neste ano, razões para as empresas buscarem alternativas ao milho não faltaram. O preço médio do cereal no mercado interno em novembro deste ano está 6,3% acima dos valores praticados no mesmo período do ano passado. Porém, em comparação a novembro de 2019, os valores estão quase duas vezes acima. Os atuais R$ 85 pagos na média do mês pela saca de milho no Brasil já chegaram a superar a barreira dos R$ 100 em maio.

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Mais do que o aumento dos preços em si, o que assustou as empresas foi o ritmo com essa valorização aconteceu. A quebra da safra nacional no ciclo 2020/21, o aumento da demanda internacional e o dólar em patamares favoráveis à exportação criaram ambiente perfeito para colocar os preços do milho em patamares nunca vistos no Brasil.

O Brasil produziu neste ano 15,5 milhões de toneladas de milho a menos do que no ano passado e colheu pouco mais de 87 milhões de toneladas. Na safra que está sendo plantada, neste momento, a expectativa é que a oferta volte à normalidade e o país supere os 116 milhões de toneladas, segundo a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de novembro.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.