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Brasil ataca fundos para o clima, mas vê negócio no mercado de carbono

“Países desenvolvidos e os maiores poluidores deveriam estar mais bem preparados para esta conferência do clima”, criticou o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite

“Acho que vamos chegar a um consenso”, disse o ministro, acrescentando que o Brasil teve um “papel importante” na elaboração do texto da COP26
Por Isis Almeida e Jennifer A. Dlouhy
13 de Novembro, 2021 | 12:50 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, criticou países ricos e poluentes por gastarem muito pouco para ajudar o mundo em desenvolvimento a adotar energia limpa, após sua promessa fracassada de fornecer US$ 100 bilhões em financiamento climático anualmente.

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As tensões sobre essa promessa de financiamento fracassada ameaçam minar as negociações nas horas finais da cúpula da COP26 na Escócia. Leite, falando à margem da conferência, classificou o financiamento como o maior desafio que os negociadores enfrentam e disse estar frustrado com a falta de progresso.

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“Os países desenvolvidos e os maiores poluidores deveriam estar mais bem preparados para esta conferência do clima e garantir que tivessem em seus orçamentos fundos relevantes para permitir uma transição responsável para uma economia zero líquido e isso não aconteceu”, disse ele em entrevista em Glasgow. “Eles assinaram em 2015, prometidos para 2020 e agora estão chutando a lata no caminho para 2023 ou 2024, por recursos que não são mais suficientes.”

Um rascunho do texto da conferência lançado neste sábado (13) repreende as nações por ainda não cumprirem sua promessa de 2009 - reafirmada em 2015 - de fornecer US$ 100 bilhões em financiamento climático anual até 2020. E “insta os países desenvolvidos a cumprirem integralmente os” US$ 100- meta de bilhões “urgentemente e até 2025″.

No entanto, não existem medidas concretas para abordar o déficit de financiamento esperado para 2020 e 2021 e a versão mais recente não diz como as nações ricas vão compensar a lacuna de financiamento nos próximos anos. Enquanto um novo grupo ad hoc teria a tarefa de desenvolver um plano de financiamento do clima para a segunda metade da década, os negociadores removeram a redação proposta anteriormente para definir o piso em US$ 100 bilhões anuais e mobilizar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2030.

Leite disse que os recursos fornecidos não são suficientes e tem sido difícil para as nações mais vulneráveis ao clima acessá-los. “O financiamento não se materializa de fato”, disse ele.

Os negociadores estavam reunidos na conferência neste sábado (13), tentando desenvolver um acordo final que trataria do financiamento do clima, ambição de corte de carbono e regras para o comércio de carbono. O Brasil foi uma das principais forças por trás da redação das minutas que poderiam permitir um acordo sobre o comércio global de emissões, e Leite disse que espera que os negociadores cheguem a um acordo sobre o assunto ainda hoje.

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“Acho que vamos chegar a um consenso”, disse, acrescentando que o Brasil teve um “papel importante” na elaboração do texto. “Acho que chegamos a um texto que será aprovado hoje.”

Novas metas poderiam reduzir as emissões até 2100dfd

Embora os ativistas tenham elogiado disposições contábeis mais rígidas na proposta, alguns disseram que o plano preliminar ainda poderia permitir que alguns créditos de carbono fossem contados duas vezes, potencialmente minando as reduções de emissões.

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O Brasil no início desta semana pensou que as negociações sobre o livro de regras do comércio de carbono, conhecido como Artigo 6, não iriam adiante, disse Leite. A China foi o último país que o Brasil se reuniu sobre o assunto, e as nações finalmente chegaram a um acordo que evita a contagem dupla, disse ele.

A proposta “não permite que o mesmo crédito seja usado duas vezes, mas também dá aos países o poder de decidir quais setores geram créditos e como esses créditos serão utilizados”, disse ele. “Essa foi uma solução proposta pelo Brasil que garante que não haverá dupla contagem.”

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