Negócios

Credit Suisse sinaliza perdas no quarto trimestre, fechando um ano difícil

Lucro líquido do terceiro trimestre caiu 21%, com uma perda de 564 milhões de francos (US$ 620 milhões) em custas processuais

O CEO Thomas Gottstein tem procurado provar que as principais mancadas nas divisões de trading e gestão de ativos não contaminaram outros vetores de lucro da empresa
Por Marion Halftermeyer
04 de Novembro, 2021 | 12:25 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — O Credit Suisse informou que apresentará um prejuízo líquido no quarto trimestre devido a uma perda de 1,6 bilhão de francos (US$ 1,8 bilhão) vinculada à sua reestruturação, já que gastos com encargos e honorários advocatícios fizeram parte de seus esforços para implementar uma nova estratégia após uma série de escândalos.

O lucro líquido do terceiro trimestre caiu 21%, com uma perda de 564 milhões de francos (US$ 620 milhões) em custas processuais relacionadas a uma variedade de questões, incluindo um escândalo de arrecadação de fundos em Moçambique e a implosão da Greensill Capital. A iniciativa de reduzir o banco de investimento em 25% será a causa do prejuízo neste trimestre, enquanto a empresa se volta mais para o ramo de gestão de riquezas.

As ações do Credit Suisse apagaram os ganhos após a abertura na quinta-feira (4), com queda de 1,5% às 9h13 em Zurique. O papel caiu quase 13% neste ano.

O CEO Thomas Gottstein tem procurado provar que as principais mancadas nas divisões de trading e gestão de ativos não contaminaram outros vetores de lucro da empresa. O banco apresentou na quinta-feira (4) uma atualização estratégica que impulsiona a unidade de riqueza lucrativa e reduz o risco do banco de investimento.

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“Os negócios de gestão de riquezas voltaram a obter novos ativos líquidos robustos e maiores receitas de transações, enquanto as comissões e taxas recorrentes e os volumes de negócios de clientes demonstraram ganhar forte impulso ano após ano”, disse Gottstein, no comunicado sobre resultados na quinta-feira (4).

A estratégia do banco foi elaborada após uma revisão de seis meses pelo novo presidente Antonio Horta-Osorio. Essa revisão foi motivada por uma série de erros que desfalcaram o banco, incluindo a perda de US$ 5,5 bilhões no caso do family office, Archegos Capital Management, e a necessidade de cobrir fundos de clientes que eram administrados pelo credor Greensill Capital, que entrou em processo de insolvência .

A receita aumentou no terceiro trimestre, ajudada pelas taxas de fechamento de negócios, que quase triplicaram em relação ao ano anterior, em meio a um boom de fusões. O negócio de fortunas registrou novos ativos líquidos de 6,5 bilhões de francos, liderados pela região da Ásia-Pacífico.

Uma perda adicional de 113 milhões de francos foi registrada no terceiro trimestre na unidade de gestão de ativos relacionada ao investimento na York Capital Management. O banco suíço adquiriu uma participação de 30% na firma de investimentos dos Estados Unidos, em 2000, e já registrou um prejuízo de US$ 450 milhões no ano passado, quando a empresa encerrou a maioria de suas estratégias de hedge funds. Como parte do novo plano, o banco planeja abandonar outros investimentos semelhantes.

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O que a Bloomberg Intelligence diz:

“A saída da corretagem de primeira linha do Credit Suisse e outros cortes na divisão de banco de investimento - juntamente com um aumento na alocação de capital em cerca de 25% para a franquia de riqueza global central até 2024 - devem aumentar a lucratividade estrutural para o banco com provável diminuição da volatilidade e do risco.”

- Alison Williams, analista de Business Intelligence para o setor de bancos

A divisão de riqueza internacional teve 1,4 bilhão de francos em entradas líquidas, enquanto as unidades de riqueza da Ásia e da Suíça geraram 3,2 bilhões de francos e 1,9 bilhão de francos em entradas líquidas.

Para se ter uma margem de comparação, o UBS relatou quase US$ 19 bilhões em novos ativos que geram taxas em seu negócio de fortunas.

Os resultados do segundo trimestre da empresa suscitaram a preocupação dos investidores de que os problemas recentes estavam pesando sobre o negócio principal de gestão de riqueza, visto que houve fluxos de saída em várias unidades. Os três negócios de riqueza serão agora combinados em uma única unidade após a revisão da estratégia.

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Banco de investimento

No banco de investimento, o Credit Suisse acalmou os investidores com ganhos nos mercados de capitais e taxas de consultoria, que acompanharam o ritmo dos principais pares de Wall Street. As receitas de consultoria aumentaram 182% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, apresentando o melhor desempenho trimestral desde 2018, impulsionado por fortes taxas de M&A.

As receitas de trading de renda fixa caíram 13%, em linha com os concorrentes americanos e europeus. As receitas de trading de ações caíram 9% quando o banco saiu do negócio de corretagem de primeira linha, após o colapso da Archegos.

Os resultados podem não dissipar totalmente as preocupações dos investidores quanto a uma onda de deserções entre negociadores seniores. A compensação acumulada caiu 8% neste trimestre, a terceira queda consecutiva. As taxas tendem a ser contabilizadas quando os negócios são concluídos, o que significa uma defasagem no momento em que os resultados da classificação afetam o faturamento. Entre as fusões e aquisições anunciadas em todo o mundo, o Credit Suisse caiu para o nono até agora, depois de ficar em sexto lugar, em 2020, e sétimo, em 2019.

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