Internacional

China acusa ONG de meio-ambiente de coletar dados próximos a base da Marinha

Segundo o governo chinês, organização coletou dados que ameaçavam a segurança nacional desde 2019

O jornal do Partido Comunista declarou que pessoas com segundas intenções coletaram dados para desacreditar a causa de proteção ambiental da China e até afirmou que uma notícia de uma agência australiana era falsa
Por Bloomberg News
02 de Novembro, 2021 | 07:41 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A China puniu uma organização não governamental não identificada por coletar dados marítimos “confidenciais” e compartilhá-los no exterior, destacando o controle, por parte de Pequim, de informações que prejudicam a narrativa oficial sobre questões ambientais.

A ONG montou estações de monitoramento costeiro perto de quartéis militares para rastrear destroços off-shore, ameaçando a segurança nacional da China, afirmou a Comissão Central de Assuntos Políticos e Jurídicos, órgão de aplicação da lei do Partido Comunista em seu site na segunda-feira (1). As atividades da ONG vieram à tona após serem discutidas em uma conferência em 2019, disse o órgão, sem identificar o grupo ou explicar por que o incidente estava sendo relatado só agora.

“A avaliação da Marinha relatou que as informações dos 22 locais de vigilância da organização representavam uma ameaça iminente à nossa segurança naval”, disse a agência. “As informações coletadas, incluindo latitude e longitude, meio ambiente, geologia, fluxo do oceano e outros, podem ser facilmente usadas por agências de inteligência e militares estrangeiras, representando uma possível ameaça para a China”.

O grupo foi obrigado a fechar as estações após receber uma notificação e teve de entregar sua “renda ilegal” este ano, afirmou o órgão, sem fornecer uma data.

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Embora o presidente chinês Xi Jinping tenha elogiado seus próprios esforços para proteger o meio ambiente, incluindo as metas de carbono discutidas esta semana em Glasgow, ele também reprimiu os grupos da sociedade civil que geralmente lideram os esforços de preservação em outros países. O Partido Comunista buscou controlar a narrativa sobre o assunto enquanto impede o envolvimento de grupos privados.

O jornal do partido, Global Times, publicou separadamente uma matéria sobre o incidente com o lixo marinho dizendo que os dados coletados pela ONG “foram usados por pessoas com segundas intenções no exterior para desacreditar e promover a causa de proteção ambiental da China, o que teve um impacto negativo sobre a imagem internacional da China”.

O artigo continha uma captura de tela de um relatório da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth que dizia que o nível de detritos na costa de Xangai era 10 vezes maior do que o encontrado na Austrália e nos Estados Unidos – afirmação que o Global Times disse ser falsa. A organização é um braço do governo australiano responsável pela pesquisa científica.

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