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Mercados

Decisão do Copom promove ajustes e juros avançam

Visão do Comitê quanto ao panorama fiscal é o que mais preocupa, conforme economista; Ibovespa se descola do exterior e oscila na primeira hora de pregão

Mercado esperava que o BC enviasse uma mensagem mais forte para manter as expectativas de inflação sob controle
28 de Outubro, 2021 | 10:53 am
Tempo de leitura: 1 minuto

São Paulo — Após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmar as expectativas de elevação da Selic em 1,5 ponto percentual, o dia é de ajustes nos mercados por aqui. O dólar sobe cerca de 1,3%, com o real como a pior moeda numa cesta das principais do mundo, assim como as pontas médias e longas da curva de juros. A fala do Comitê quanto ao panorama fiscal e o risco de desancoragem das expectativas de inflação deixam o mercado com atenção redobrada quanto aos próximos passos para a taxa básica de juros.

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Enquanto isso, lá fora, os índices avançam nos Estados Unidos após a divulgação do produto interno bruto (PIB) americano mostrar que o crescimento econômico no terceiro trimestre não foi tão baixo quanto alguns suspeitavam. O petróleo recua com o enfraquecimento do dólar.

Após o fechamento de hoje, Petrobras e Vale divulgam seus resultados trimestrais. Nos Estados Unidos, os destaques de balanços são Apple e Amazon.

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  • Perto das 10h40, o Ibovespa caía 0,21%, a 106.140 pontos
    • Petrobras (PETR4), PetroRio (PRIO3) e Itaú (ITUB4) eram destaques de contribuições negativas para o índice, enquanto Ambev (ABEV3) equilibrava na ponta oposta, após balanço favorável na manhã de hoje (28)
  • O dólar subia 1,12%, a R$ 5,60, após tocar os R$ 5,62 na máxima da manhã. A curva de juros avançava, exceto pelo vencimento mais curto, para janeiro próximo. O DI para janeiro de 2023 subia de 11,510% para 11,680%, enquanto o vencimento para janeiro de 2027 avançava de 11,900% para 12,100%
  • Nos EUA, o Dow Jones subia 0,51%, o S&P 500, 0,63%, e o Nasdaq, 0,62%

Contexto

Os investidores consideravam o aumento de 1,5 ponto percentual como o mínimo necessário para o Copom, em meio a uma deterioração nas perspectivas fiscais do Brasil, e esperavam que o BC enviasse uma mensagem mais forte para manter as expectativas de inflação sob controle.

Conforme Tatiana Nogueira, economista da XP, “a parte mais polêmica do comunicado é a visão do Copom sobre o panorama fiscal. O comunicado afirma que ‘recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos’”.

“Em outras palavras, o Copom ainda não vê que o quadro fiscal mudou, como nós e a maior parte do mercado vemos. Provavelmente por isso as projeções de inflação não mudaram muito: para o Comitê, o cenário básico anterior ainda se mantém.”

Isso pode ser interpretado como espaço para o Copom voltar a mudar sua estratégia, quando (e se) o risco fiscal se materializar (como grande parte do mercado acredita que acontecerá).

Tatiana Nogueira, economista da XP

Nos EUA, as ações discricionárias e de tecnologia do consumidor impulsionam o S&P 500, enquanto o Dow Jones Industrial Average e o Nasdaq 100 também avançam. A economia dos EUA expandiu a uma taxa anual de 2% nos três meses até setembro, abaixo da estimativa mediana de 2,6% em uma pesquisa da Bloomberg, à medida que os gastos do consumidor desaceleraram. Além disso, a divulgação semanal de pedidos de seguro-desemprego caíram para o menor nível na pandemia.

-- Com informações de Bloomberg News

Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.