Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin
São Paulo – Um levantamento de duas pesquisadoras, a americana Marina Spindler e a mexicana Paulina Rodriguez, feito em 2020, sobre a presença de investidoras no mundo das criptomoedas, apontou que, apesar de muitas mulheres já aplicarem em criptoativos, há, ainda, espaço considerável para o crescimento do público feminino nesse mercado.
O trabalho, o primeiro no mundo com esse foco, elaborado com apoio de renomadas instituições como a Women in Blockchain Boston, Blockchain for Humanity, Unicef, Banco Mundial e Fórum Econômico Mundial, ouviu 60 mulheres, de 31 países, que hoje investem em moedas digitais. Sendo mais da metade delas concentrada na América Latina.
A pesquisa indica haver ainda um desequilíbrio relevante de participação entre o público feminino e o masculino nos investimentos cripto. Dependendo do país, o porcentual de investidoras varia de 15% a 51%. A despeito dessa participação, o levantamento traz um dado otimista para esse mercado: as criptomoedas têm ajudado mulheres a conquistar sua independência financeira e, mais do que isso, a ampliar a frequência delas no universo das finanças. Território ainda ocupado, em sua maioria, por investidores homens.
O relatório também apresenta um dado positivo nessa correlação entre investimento em criptomoedas e independência financeira entre as mulheres. Ao serem questionadas se houve melhora em sua situação econômica desde o início do investimento, a nota média foi 7.
“Nosso relatório inclui muitas mulheres que usam criptomoedas para se sustentar em vez de meramente especular sobre bitcoins ou tokens”, dizem, em conjunto, Marina e Paulina. “Aprendemos que essa tecnologia permite que mulheres se tornem financeiramente capacitadas e economicamente independentes”, completam.
Entre as mulheres ouvidas na pesquisa, 45% tinham formação em ciências e áreas correlatas. Além disso, o levantamento colheu depoimentos que demonstraram o quão importante foi para esse público “correr atrás”: 34% das entrevistadas disseram passar entre 10 e 40 horas semanais estudando sobre criptomoedas, enquanto 20% afirmaram mergulhar no assunto por mais tempo ainda, seja atrás de informações ou em busca de cursos.
“De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, em muitas sociedades a mulher está desproporcionalmente em empregos informais, mal remunerada ou subestimada. Sua vulnerabilidade é agravada pelo fato de que os bancos comerciais geralmente se concentram em homens e empresas formais. Portanto, devemos ir além de encorajar mulheres a abrir contas bancárias, mas também apoiá-las na decisão de como gastar seu dinheiro e controlar suas finanças”, concluem as pesquisadoras.
Educação atrai investidoras
Kaká Furlan e Carol Souza investem, já há alguns anos, em criptoativos e atualmente buscam inserir outras mulheres nesse mercado por meio de um canal no YouTube, o UseCripto, plataforma de educação financeira em criptomoedas. Até hoje as duas dizem sentir ainda os efeitos de um setor com predominância masculina.
“O machismo existe, pois as criptos unem duas áreas de conhecimento predominantemente estimuladas para o público masculino desde cedo que são a tecnologia e as finanças. Mas isso está mudando, hoje vemos mais mulheres à frente de projetos de tecnologia, nos games e investimentos também”, diz Carol.
A chave para aumentar a diversidade e, consequentemente, tornar o mercado de criptomoedas ainda mais interessante, para as duas, é uma só: educação. “O movimento natural é as pessoas se interessarem pelo mercado financeiro tradicional e depois avançarem para o das criptomoedas. Por uma questão histórica e cultural, a falta de liberdade e conhecimento fez com que as mulheres ficassem alguns passos atrás dos homens no mundo dos investimentos”, fala Kaká. “Há um longo caminho de educação cripto pela frente”, afirma.