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Dirigentes do Softbank divergem sobre cisão de fundo para América Latina

Ativos aumentaram para US$ 8 bilhões desde o lançamento, em março de 2019

Diretor de operações do SoftBank defende uma cisão do fundo de investimento latino-americano do conglomerado japonês
Por Giles Turner e Peter Elstrom
18 de Outubro, 2021 | 02:36 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O diretor de operações do SoftBank, Marcelo Claure, defende uma cisão do fundo de investimento latino-americano do conglomerado japonês, visão que não é compartilhada pelo fundador da empresa, Masayoshi Son, que discorda da mudança, segundo pessoas a par das discussões.

O fundo latino-americano não é tão conhecido quanto o gigantesco Vision Fund do SoftBank, mas seus ativos aumentaram para US$ 8 bilhões desde o lançamento em março de 2019. O fundo inicial, sob a liderança de Claure, investiu em 48 empresas e gerou taxa interna de retorno de 85% em dólar.

Claure vê a cisão como forma de expandir o fundo, criar valor para o SoftBank e aumentar sua própria remuneração, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas.

Não houve “nenhuma discussão sobre separar o fundo latino-americano do SoftBank”, disse Son em comunicado da empresa. “Em segundo lugar, Marcelo e eu temos uma relação sólida, e ele é um membro valioso da equipe do SoftBank.”

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O executivo boliviano-americano, de 50 anos, tem pressionado por mais autoridade e dinheiro, disseram as pessoas, embora tenha sido o segundo executivo com maior remuneração do SoftBank no ano passado e se tornado bilionário quando vendeu sua distribuidora de celulares para o SoftBank em 2013. Claure sugeriu que ele merece até US$ 1 bilhão, em parte porque liderou a reestruturação da Sprint, a qual o SoftBank vendeu para a T-Mobile US no ano passado por cerca de US$ 37 bilhões. O SoftBank emprestou capital a Claure para comprar uma participação avaliada em US$ 500 milhões como parte do acordo com a T-Mobile.

É possível que Claure deixe o SoftBank por causa do desacordo com Son, disseram as pessoas, embora o diretor de operações tenha cogitado a ideia de renunciar no passado, mas sem dar o passo. Apesar de suas opiniões divergentes sobre a cisão do fundo da América Latina, os dois executivos desenvolveram uma relação próximo desde que o SoftBank comprou uma participação majoritária na Brightstar de Claure em 2013.

“Marcelo pode ser inconstante, mas não acho que chegue a esse ponto”, disse uma pessoa sobre a possível saída de Claure.

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No mês passado, o SoftBank disse que havia investido em 15 dos 25 unicórnios latino-americanos, ou startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais, que incluem o aplicativo colombiano de entregas Rappi e a Gympass. Claure também assumiu a liderança das estratégias em criptomoedas do SoftBank, com um investimento no  Mercado Bitcoin.

Son vê pouco mérito em uma cisão para os acionistas do SoftBank e acha que isso complicaria desnecessariamente a gestão e a governança, disseram as pessoas. Se o fundo de Claure para a América Latina tivesse outras partes interessadas, o SoftBank teria que enfrentar conflitos de interesse nas negociações e distribuição de lucros. O pequeno tamanho do fundo em relação ao Vision Fund torna esses desafios extras indesejáveis, disseram as fontes.

Claure, que também é CEO do braço internacional do SoftBank, competiu algumas vezes por mais responsabilidades com Rajeev Misra, CEO do Vision Fund. Embora os dois tenham entrado em conflito no passado, o relacionamento melhorou. Claure disse internamente que será um “caçador de unicórnios”, perseguindo startups que não se enquadram ou não queiram negociar com o Vision Fund.

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