Mercados

Economia da China sofre com sucessivos golpes: Eco Week

Em semana tranquila para indicadores, o destaque no Brasil vai para dados de conta corrente e investimento estrangeiro na sexta-feira (22)

"Dados do PIB da China provavelmente confirmarão uma forte desaceleração no crescimento no terceiro trimestre"
Por Nasreen Seria
17 de Outubro, 2021 | 04:37 pm
Tempo de leitura: 6 minutos

Bloomberg — A China está contabilizando o custo de uma série de golpes para sua economia, desde uma repressão ao mercado imobiliário e uma crise de energia até controles rígidos do vírus e preços cada vez maiores das commodities.

O impacto cumulativo será mostrado no produto interno bruto (PIB) do terceiro trimestre na segunda-feira (18), com previsão de crescimento para desacelerar de 7,9% para 5% nos três meses anteriores. Para ilustrar ainda mais esse quadro, serão divulgados os dados industriais e de investimento mensais no mesmo dia, revelando a gravidade da escassez de eletricidade no mês passado.

A desaceleração da China se propagará pela Ásia e pelo resto do mundo, derrubando mercados de commodities como aço e minério de ferro, que dependem da atividade de construção do país.

Com Pequim apertando seu controle sobre o mercado imobiliário como parte de um esforço mais amplo para enfrentar os riscos financeiros, as vendas e os preços dos imóveis já estão caindo.

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Enquanto isso, uma escassez de energia no mês passado reduziu a produção de fábricas, empurrando o índice de gerentes de compras para baixo o suficiente para sinalizar uma contração da manufatura pela primeira vez desde o início da pandemia - mesmo que os pedidos de exportação antecipados para o Natal pudessem ter compensado parte disso.

Pequim provavelmente ainda atingirá sua modesta meta de crescimento anual de mais de 6%, o que significa que as autoridades podem não ter pressa em injetar estímulos. O Banco Popular da China se absteve de injetar liquidez no sistema financeiro na sexta-feira (15), enquanto pedia aos credores que mantivessem o crédito ao setor imobiliário “estável e ordenado”.

O primeiro-ministro Li Keqiang soou confiante em um discurso em 14 de outubro, dizendo que a China “está à altura dos desafios”, incluindo inundações severas e um ambiente internacional complexo.

“O crescimento estabilizou um pouco” no terceiro trimestre, disse ele. “Mas, durante todo o ano, temos a confiança e a capacidade de cumprir nossas metas gerais de desenvolvimento.”

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O que diz a Bloomberg Economics:

“Os dados do PIB da China provavelmente confirmarão uma forte desaceleração no crescimento no terceiro trimestre, à medida que uma confluência de choques - surtos da variante delta, uma escassez aguda de energia e aperto regulatório - afetam a economia.”

--Chang Shu e David Qu

Ao mesmo tempo, a Turquia pode cortar as taxas de juros enquanto a Rússia as aumenta, uma nova leitura da inflação no Reino Unido pode manter o foco na possível resposta do Banco da Inglaterra, e o Federal Reserve divulga o Livro Bege.

América latina

Na terça-feira (19), os dados devem mostrar forte atividade da Colômbia de junho a julho, que viu a economia retornar ao seu nível pré-pandêmico. O FMI prevê aumento de 7,6% para 2021, que seria a mais rápida desde pelo menos 1991.

O governo do presidente argentino Alberto Fernández aumentou os gastos antes da metade do mandato do próximo mês. Veja os resultados do orçamento de setembro na quarta-feira (20) que deve empurrar o déficit acumulado no ano para bem acima de 500 bilhões de pesos.

Na quinta-feira (21), os números das vendas no varejo mexicano para agosto provavelmente mostrarão alguma recuperação, dado um nível recorde de remessas no mês e aumentos sustentados nas vendas nas mesmas lojas. Na Argentina, um recuo da pandemia e o aumento da mobilidade podem sustentar o salto de junho a julho nos dados prévios do PIB da Argentina em agosto.

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O México publica dados de inflação no meio do mês na sexta-feira (22), o penúltimo conjunto de leituras antes da decisão do Banxico de juros de novembro. A inflação persistentemente elevada viu um aumento dividido do banco central em suas últimas três reuniões, para os atuais 4,75%. A paciência pode estar se esgotando, porém, com o conselho falando sobre “um ajuste mais agressivo” para lidar com o cenário de risco à frente.

Fechando a semana, o Brasil informa na sexta-feira (22) os números da conta corrente e do investimento estrangeiro direto em setembro.

Ásia

Além dos dados econômicos chineses, o Japão provavelmente será o foco, já que sua campanha para as eleições gerais começa na segunda-feira (18) com um debate político entre os líderes partidários que buscam impedir o que parece ser uma vitória inevitável do novo primeiro-ministro Fumio Kishida.

As exportações japonesas na quarta-feira (20) devem oferecer o mais recente indicador de como a recuperação do comércio global está se segurando em meio a gargalos na cadeia de suprimentos. Os números da inflação na sexta-feira devem mostrar o primeiro aumento de preços no Japão em 18 meses, e uma tendência de alta muito mais forte alimentada pelos preços de energia.

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Também na sexta-feira, o governador do Banco da Austrália, Philip Lowe, fala em um painel sobre os mandatos do banco central em meio a conversas sobre uma possível revisão dos RBAs. O banco central da Indonésia deve manter as taxas de juros sob controle na sua reunião na terça-feira.

Estados Unidos

Nos EUA, os traders aguardam os dados mais recentes sobre produção industrial, manufatura e habitação para julgar o estado da economia.

Para os observadores do Fed, o Livro Bege do banco central deve ser lançado na quarta-feira (20) e fornecerá um instantâneo das empresas em todo o país.

Europa, Oriente Médio, África

A inflação no Reino Unido na quarta-feira deve ter mantido o ritmo mais rápido em quase nove anos em setembro, com uma leitura antecipada de 3,2%. Os investidores acumularam apostas nas últimas semanas para o aperto iminente do Banco da Inglaterra, de modo que esses dados serão um dos relatórios mais monitorados na região.

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Em outros lugares, os próximos dias apresentam uma janela final para os formuladores de políticas do Banco Central Europeu falarem sobre o futuro do estímulo antes de um período de silêncio antes da decisão. Os membros do Conselho Executivo, Fabio Panetta e Philip Lane, junto com o membro do Conselho de Governadores, Olli Rehn, estão entre as autoridades programadas para compartilhar seus pontos de vista.

Neste domingo (17), o membro do Conselho do BCE, Klaas Knot, disse que vê as taxas de juros subindo assim que os bancos centrais começarem a desfazer seus programas de estímulo. Knot disse que o atual salto da inflação é principalmente transitório, ecoando os comentários do sábado da presidente do BCE, Christine Lagarde.

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Nos países nórdicos, o governador do Riksbank Stefan Ingves e o vice-governador Martin Floden falarão no Parlamento da Suécia na quarta-feira, enquanto o fundo soberano da Noruega - o maior do mundo - divulgará os resultados do terceiro trimestre no dia seguinte.

As decisões sobre as taxas de juros irão dominar as notícias econômicas de todo o resto da região, com sete previstos para esta semana.

Os destaques incluem a Turquia, cujo banco central realizará sua primeira reunião na quinta-feira desde que o presidente Recep Tayyip Erdogan demitiu três legisladores que estavam receosos de cortar as taxas, levando a lira a níveis recordes. Isso prepara o terreno para o banco manter seu ciclo de afrouxamento após um corte surpresa em sua última decisão, apesar da inflação galopante.

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Enquanto isso, na sexta-feira, os economistas preveem que o banco central da Rússia aumentará sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual em meio à desaceleração da inflação, embora as expectativas estejam aumentando de que os formuladores de políticas possam ir ainda mais longe, com um movimento de meio ponto.

-- Com assistência de Benjamin Harvey, Malcolm Scott, Robert Jameson e Zoe Schneeweiss

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