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Internacional

Caminho de Powell para um novo mandato está mais complicado

Banco central dos EUA está sob fogo após revelações sobre negociações de ações pelo vice-presidente Richard Clarida e autoridades regionais em Dallas e Boston em 2020

Escândalos das negociações e as críticas de Warren não afetaram a posição de Powell
Por Nancy Cook e Jennifer Jacobs e Saleha Mohsin
07 de Outubro, 2021 | 03:19 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A escolha de um novo presidente do Federal Reserve ficou mais complicada para Joe Biden na semana passada, quando o Congresso discutia sobre gastos, impostos e dívidas, ao mesmo tempo em que um escândalo sobre negociações de ações por algumas altas autoridades sob a liderança de Jerome Powell poderia prejudicar suas perspectivas.

O que antes parecia uma recondução fácil para Powell - favorito da Secretária do Tesouro, Janet Yellen, e de democratas e republicanos moderados no Comitê de Bancos do Senado - se transformou em um problema para a Casa Branca, com a senadora Elizabeth Warren, uma democrata de Massachusetts, e grupos progressistas questionando a negociação de ações.

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O banco central dos EUA está sob fogo após revelações sobre negociações de ações pelo vice-presidente Richard Clarida e autoridades regionais em Dallas e Boston em 2020, enquanto o banco lutava para proteger a economia dos EUA do coronavírus.

“O crescente escândalo no Fed definitivamente impacta a renomeação de Powell. Se será o suficiente para descarrilar, isso ainda não dá para ver. Nenhum presidente quer se aprofundar nisso sem saber todos os detalhes”, disse Aaron Klein, pesquisador sênior de Estudos Econômicos do Brookings Institution e ex-subsecretário adjunto de política econômica do Departamento do Tesouro do governo Barack Obama.

“Ele quer pessoas que provavelmente darão continuidade à cultura do Fed ou sacudí-la? Antes desses escândalos de negociações de ações, havia muito ímpeto para a continuidade da cultura ”, acrescentou Klein.

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Warren chama Powell de “perigoso”

Warren fez críticas diretas a Powell em uma audiência do Comitê de Bancos do Senado e também em discurso no plenário, sobre como ela o considera um líder “perigoso”, que tem sido brando com os bancos e com as práticas éticas daqueles que trabalham para ele. Ela é a única senadora democrata a se manifestar diretamente contra Powell.

Cinco fontes familiarizadas com a busca da Casa Branca por um presidente do Fed disseram que os escândalos das negociações e as críticas de Warren não afetaram a posição de Powell - essas pessoas também não veem uma decisão acontecendo em breve. Um porta-voz da Casa Branca disse que o processo de seleção do presidente se desenrolaria “em tempo hábil”.

Algumas autoridades do governo continuam a acreditar que tirar a economia da crise pandêmica é mais importante do que qualquer desejo de substituir a presidência do Fed e colocar uma nova marca na instituição. Porém, quanto mais as questões sobre as negociações com ações pairam sobre o Fed, mais tempo aqueles que desaprovam Powell têm para aguçar suas críticas.

A candidata alternativa principal para a presidência do Fed é Lael Brainard, atual governadora do conselho do Federal Reserve e ex-subsecretária do Tesouro para Assuntos Internacionais do governo Barack Obama. Democrata cujas opiniões se alinham mais com as de Warren, ela também está sendo considerada para o cargo de vice-presidente de supervisão, uma função reguladora importante, na qual se espera que ela tome uma posição mais dura do que a do atual vice-presidente Randal Quarles.

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O mandato de Powell expira em fevereiro. A Casa Branca idealmente indicaria seu candidato no final de outubro ou início de novembro para dar tempo para reuniões individuais presenciais com parlamentares e audiência de confirmação. Quaisquer investigações sobre negociações feitas por autoridades do Fed podem não ser concluídas até lá.

Na terça-feira, Biden disse a jornalistas que confiava em Powell “até agora” antes de acrescentar “mas estou apenas atualizando algumas dessas afirmações”.

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